segunda-feira, 7 de novembro de 2016

PLANEJAMENTO

v  PLANEJAMENTO
v  PROFESSORA LUCIMARA DE CASTRO BUENO
Ø  FILME: Forrest Gump- O contador de história
            O filme começa com uma pena caindo aos pés de Forrest Gump, sentado numa parada de ônibus em Savannah, na Georgia. Forrest pega a pena e coloca-a dentro de um livro, e então começa a contar a história de sua vida a uma mulher sentada próxima a ele. Os ouvintes na parada de ônibus variam.
            Forrest mostra ter muito de sua vida ensinado por sua mãe. Forrest frequentemente repete suas frases favoritas, incluindo "A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar" e "Idiota é quem faz idiotice". Outras pessoas que têm papéis importantes na vida de Forrest são Jenny Curran, uma amiga de infância que é sexualmente abusada por seu pai; Benjamin Buford "Bubba" Blue, um jovem negro pescador de camarões que serve junto com Forrest na Guerra do Vietnã e sabe "tudo que se pode saber sobre camarões"; e o Tenente Dan Taylor, que é o comandante da unidade onde Forrest e Bubba servem; Alguns anos após o encerramento da guerra, Forrest propõe o casamento a Jenny. Ela recusa. Mais tarde aquela noite eles fariam sexo. Na manhã seguinte ela iria embora. Para compensar o vazio em seu coração, Forrest corre através dos Estados Unidos por três anos e meio. Ele é chamado de "um jardineiro de Greenbow, Alabama", em noticiários sobre suas corridas.
            Forrest está esperando o ônibus porque em 30 de março de 1981, ele recebeu uma carta de Jenny que, após vê-lo na televisão, convida-o para visitá-la. Forrest mostra a carta de Jenny a uma das ouvintes, uma paciente senhora idosa que mesmo após perder seu ônibus continuava a ouvi-lo; ela conta a ele que para chegar ao endereço da carta não é necessário pegar o ônibus, uma curta caminhada basta. Ele agradece a senhora e imediatamente começa a correr. Uma vez que ele encontra Jenny e seu jovem filho, Jenny conta a ele que o garoto é chamado Forrest, assim como o pai dele. Primeiramente ele pensa que ele é filho de um outro homem chamado Forrest, mas depois ela confirma que o filho é realmente dele. Ela também conta a Forrest que está infectada com um vírus (que pode ser o vírus da AIDS). Juntos, os três se mudam para Greenbow, onde Jenny e Forrest finalmente se casam, mas o casamento dura pouco por causa da morte de Jenny "numa manhã de sábado" segundo Forrest. Sua lápide dá a data de 22 de março de 1982 (na verdade o dia 22 de março de 1982 foi uma segunda-feira, não um sábado).
            O filme termina com Forrest levando seu filho a um ônibus escolar; com a aproximação do ônibus, o pai pega o livro que sua mãe lia para ele, e deixa cair uma pena, que havia aparecido no início do filme; então, sem perceber isso, Forrest devolve o livro à mochila do filho e pondera sobre dizer algo ao seu filho, mas decide de última hora não dizer (provavelmente diria algo sobre não dar importância se alguém zombasse dele na escola, mas deve ter lembrado que devido ao fato dele mesmo ter sido zombado na época de escola, acabou conhecendo Jenny). Então pai e filho dizem que se amam. A pena no livro de Forrest é levada pelo vento, e flutua ao céu, como no início do filme.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Forrest_Gump

Ø  DISCIPLINA:  Ensino Religioso, História e Língua Portuguesa.
Ø  TURMAS: 9º ano e Ensino médio
DADOS DA AULA:
Ø  O que o aluno poderá aprender com esta aula?
A partir da aula aqui proposta espera-se que os alunos sejam capazes de:
·         Refletir sobre a importância do estímulo da família e da escola;
·         Refletir sobre as diferenças existentes entre as pessoas, a fim de conscientizar-se de que o respeito é necessário;
·         Perceber que o filme Forrest Gump, trás uma visão de mundo e que insere figuras históricas;
·         Perceber que o filme influencia a cultura popular e relata alguns eventos históricos mais notórios da segunda metade do séc. XX;
·         Refletir sobre os problemas sociais abordados na história e o quanto influencia as pessoas:
§  O preconceito de alguma deficiência física ou mental;
§  O racismo;
§  Abuso sexual;
§  Querra e paz;
§  HIV
§  Violência contra a mulher;
§  Drogas
Ø  DURAÇÃO DAS ATIVIDADES: 6 aulas aproximadamente
Ø  RECURSOS: data show, TV, Vídeo, caixa de bombom.
Ø  ESTRATÉGIAS:
1º AULA:
·         Levar uma caixa de bombons e pedir para cada um pegar um doce, logo em seguida realizar uma conversa, pedir para que cada um descreva o seu bombom:
·         De que sabor é?
·         Que cor ele tem?
·         Se é o que mais gosta ou não?
·         Se gostaria de ter pego outro sabor? (se a resposta for afirmativa deixar que realizem a troca de bombons)
·         Em seguida solicitar que os alunos descrevam sobre a atividade relacionando com a vida de cada um.

2º, 3º, 4º AULA:
·         Passar o filme Forrest Gump- O contador de histórias- (o filme tem duração aproximadamente de 142 min.).

                        5º, 6º AULA:
·         Após assistir ao filme:
·         Realizar um comentário, deixando os alunos falarem sobre a história levando-os a refletir sobre a vida, sobre os acontecimentos, os problemas sociais presentes na história;
·         Para finalizar solicitar aos alunos que respondam aos questionamentos por escrito:
·         Descreva alguma lembrança de sua infância.
·         Comente com suas palavras a frase: “a vida é uma caixa de bombons”- (você nunca sabe o que vai encontrar).
·         Apontar um sinal máximo de superação (clímax) que acontece na história.
·         O que é ser “melhor amigo”? Você faria o Gump fez para socorrer um amigo?
·         Descreva três problemas sociais apresentado na história que esta sendo muito debatido na atualidade.
·         Escolha um dos temas e produza uma dissertação-argumentativa.



ENTRE A CAUTELA E O ÍMPETO: ESCOLA EM DESCOMPASSO



         Refletir sobre nossa prática na educação é o objetivo deste artigo, assim é necessário dizer que a educação precisa urgentemente de um novo olhar, de ser tratada com carinho e comprometimento tanto de quem faz educação quanto de quem gesta a educação- (no meio político).
            Para que a educação dê certo é preciso que todos os envolvidos se comprometam em fazer dar certo. É preciso que todos se comprometam em fazer dar certo. É preciso repensar a maneira de fazer educação e certamente tomar atitudes para transformar velhos paradigmas que ainda estão inseridos na memória de alguns professores que ainda não acostumaram com o “novo” e acabam repetindo o modelo passado com aprendizes modernos. Desta maneira se frustra e não percebe que deve mudar, não percebe que está diante de uma geração pós- moderna que exige muito mais do que aquele professor, aquela professora está propondo.
            Trazendo um refrão da música de Lulu Santos, que vêm ao encontro desta reflexão sobre a educação: “ ... Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a há um segundo. Tudo muda o tempo todo...”. Na educação, assim como em todas as profissões, mas especialmente e principalmente na área da educação é necessário perceber que o tempo muda em uma velocidade incrível e que as pessoas que trabalham com educação devem se mexer, devem alterar a maneira de fazer educação. Certamente que esse novo processo deverá ser muito bem planejado, muito bem organizado, buscando sempre os objetivos a serem alcançados. Não se pode mudar somente porque o tempo mudou. Deve haver cautela entre os envolvidos para não perecer no meio do caminho. Podemos avaliar  isso no pensamento de Cortella:

Muitas pessoas, tendo em vista a obrigação de ter de se arrumar, ter de se mexer, ter de alterar o modo como fazem e pensam as coisas, supõe que a partida talvez ainda possa ser adiada, que a hora de mudar possa ser deixada para outro momento. Esta cautela imobilizadora é extremamente negativa, porque a pessoa continua do jeito que estava quando tudo à sua volta exige uma alteração. Não se trata de mudar tudo, mas mudar o que precisa ser mudado. E mudar o que precisa ser mudado exige uma atitude, que é ter cautela, isto é, de não fazer as coisas de maneira atabalhoada, destituída de critérios. (Cortella, p. 14).


            No entanto, Cortella quer nos dizer com “cautela imobilizadora” que como educadores comprometidos com o processo ensino aprendizagem que não permitamos ficarmos imobilizados muito menos imobilizar quem está ao nosso redor.
            Ao contrário disso, como ele próprio cita em seu texto, Paulo Freire considera que ter cautela requer paciência, que se define em: histórica, pedagógica e afetiva, nenhuma delas se rende a cautela imobilizadora.
            Assim sendo, a paciência histórica, seguindo o pensamento freireano, é a capacidade de perceber que as coisas têm um momento. Para Freire: “Se você não fizer o que hoje pode ser feito, e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente fará amanhã o que deixou de fazer, porque as condições se alteram”. (IN: Cortella p. 15).
            A paciência pedagógica é a capacidade de perceber que cada indivíduo possui processos diferentes de aprendizagem e de ensino, já a paciência afetiva, corresponde ao jeito como as pessoas se tratam ou são tratadas, é um processo que faz parte do ato pedagógico, é necessária e assume o papel de olhar a outra pessoa com carinho e respeito.
            Portanto, como é fácil perceber as três formas de paciência descrita se distância da cautela imobilizadora, pois cautela é aquela que permite a reflexão, de pensar naquilo que será feito, de analisar, trocar ideias, perceber o que pensa o outro a respeito de tal coisa ou assunto. Porém, o que se deve ter “cautela” certamente, é em situações difíceis e graves, neste momento o importante é não imobilizar, ficar estagnado e não pensar no que fazer ou não “querer” pensar e agir por preguiça ou acomodação com medo das mudanças. Como lembra Cortella: “espere, eu vou aguardar um pouco, quem sabe muda a direção, muda o governo, muda o tipo de aluno e eu posso continuar do jeito que já fazia”.
            Este pensamento é o que muito se têm visto na área da educação, os anos vão passando, os alunos vão e vêm e muitos professores continuam comas mesmas práticas educativas, com a mesma didática, pensando estar correto, é possível avaliar que se isso fosse verdadeiro a educação não estaria enfrentando tantos problemas graves como estamos, neste caso é necessário que a cautela seja reflexiva (como estamos fazendo neste momento),e não paralisante.
            Cortella nos proporciona refletir sobre nossas práticas educativas, sobre a cautela imobilizadora, paciência e ímpeto a partir de exemplos que acontecem no dia a dia das pessoas. Vejamos alguns:
ü  Age com cautela imobilizadora, aquele professor de anos de carreira que ameaça o mais novo. Alguém que acabou de se formar e conseguiu um concurso, chega na escola cheio de ideias, de planejamentos e projetos e de carreira, fala: “calma, isso ai é só fogo de palha, com o tempo você acostuma, isso não adianta” (ou coisas parecidas).
ü  A educação também exige coragem: um alpinista que vai fazer uma escalada deverá realizá-lo com segurança, obviamente. Por isso, crava um apoio e, só quando está firme, parte para o segundo ponto e sobe mais um pouco.
ü  Outro exemplo em que Cortella nos faz pensar em nossa prática é a situação do soldado do corpo de bombeiros, numa situação de risco, de sinistro, ele faz o contrário do que qualquer um de nós faria. Numa situação assim, saímos correndo do local, já o bombeiro chega ao incêndio e precisa tomar uma atitude, precisa salvar as pessoas que estão lá. Certamente o profissional precisa ter cautela para entrar no local sem ser atingido pelos riscos que o cercam ao mesmo tempo deve ter ímpeto para fazer o que precisa ser feito. Já imaginou se este bombeiro age com cautela imobilizadora? Certamente jamais exerceria sua profissão, sua missão com sucesso.
Conforme Cortella:
O que é necessário para alguém que lida com vidas humanas? Ter cautela para não perecer e ímpeto para não paralisar. O mesmo é demandado de um educador ou de uma educadora. Em situações de mudanças, é preciso equilibrar a cautela e o ímpeto. O risco de um ímpeto inconsequente quando ações não são planejadas, organizadas coletivamente- é de se obter um efeito não desejado, ou, pior ainda, de desmoralizar aquela ação e fazer com que as pessoas fiquem refratárias a qualquer outro tipo de mudança”. (Cortella pag. 17)

            Cortella completa dizendo: “Hoje pelas mudanças cada vez mais velozes no nosso dia a dia, nas quais a nossa memória se torna fugaz e a nossa história se torna rápida, é preciso buscar outro jeito de construir a educação.”
            O processo de se autoavaliar é muito importante na profissão de educador, o que geralmente não é comum acontecer. A velocidade de comunicação, das relações, de mudanças de cenário, de conhecimento, de aprendizado está ocorrendo cada dia mais acelerado, não é possível a escola permanecer resistente a elas.
            Cortella reafirma em mais um de seu exemplo, a ideia de que os tempos são outros, os alunos não são mais aqueles do nosso tempo em que não perguntávamos por que tínhamos vergonha. Que é necessário e urgente quebrar os paradigmas que não dão certos existentes até os dias de hoje. Vejamos:
ü  Um menino que entrou no primeiro ano do ensino fundamental, com idade de 6 anos, para ser formalmente alfabetizado. Antes de entrar na escola este menino já assistiu a vários programas de televisão, já acessou a internet centenas de vezes, já jogou Playstation mil horas e na sala de aula a Professora começa a alfabetizar dizendo: “a pata nada”. É evidente que este método de ensino não irá despertar o interesse desta criança em vir para a escola para aprender.
Desta maneira, Cortella salienta:
“Consequência? Recusa de muitas e muitos de mudar os caminhos pedagógicos, e essa atitude não se restringe aos primeiros passos escolares. Em vez de raízes que no passado nos alimentam âncoras que lá nos acorrentam”. (Cortella, pag.19).
ü  A questão da dúvida, muitos docentes acolhem como sendo perturbadora e muitos traumatizam os alunos com esta questão. Ao explicar aos seus alunos uma teoria de física por exemplo, a professora dizia: “Atenção, classe! Os corpos se atraem na razão direta das suas massas e na razão inversa do quadrado da distância entre elas. Alguma dúvida?
ü  Quando éramos alunos, nós ficávamos quietos, perguntar ou ter dúvida era feio.
ü  Se um aluno falasse para a professora que não havia entendido ele era zuado pelos colegas e a explicação era realizada da mesma maneira de antes, porém com repetição das palavras, dando entonação maior aos vocábulos (uma forma que intimidava ainda mais as crianças):
- vou explicar: Os- corpos- se- atraem...
Por que ela fazia isso? Porque foi dessa forma que lhe ensinaram, e assim foi feito durante 20, 30 anos. Se propuser a ela que mude o paradigma, ela provavelmente dirá: “Não, pode deixar, sei o que faço”. Ou ficará em pânico e não encontrará outra forma de explicar melhor.

Entre a cautela e o Ímpeto: escola em descompasso. IN: CORTELLA, Mario Sergio. Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes. São Paulo: Cortez, 2014.



LUCIMARA DE CASTRO BUENO

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ENSINOU-NOS FREIRE:

"Sou Professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não BRIGO por este saber, se não LUTO pelas condições materiais necessárias, sem as quais o meu corpo descuidado corre o risco de se amofinar e desde já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste."

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

É PROIBIDO RESMUNGAR


Estes versos foram escritos  a partir da leitura do texto: E quanto  nós, docentes? Do escritor e filósofo Mario Sergio Cortella.

E agora Professor?
Ouça o aviso que o Cortella dá
Há muita coisa a fazer
Ao invés de resmungar.
A educação mudou bastante
Por isso é preciso
Criatividade a todo o instante.

Não fique ai parado
Apesar de estudar muito
Professor não sabe tudo
É preciso buscar novos métodos
Para motivar nossos estudos

O grande mestre Cortella
Alerta o Professor
Se você acha que sabe
Cuidado! Isso para ele é arrogância
Professor deve agir como
Criança...
Ser curiosa
Fazer pesquisa
Ter dúvidas
Buscar e fazer o novo
E se precisar
Refazer tudo de novo.
A educação precisa de mudanças
Não dá para reproduzir o “velho”
Sabemos que os alunos de agora
Não pensam como os de outrora
Sorte nossa,
Assim percebemos o quanto evoluímos.

Nossas escolas precisam de gente,
De gente como a gente
Gente que não fica de braços cruzados
Gente que não resmunga
Que sempre arruma um jeito
Deixando a acomodação de lado.

Os alunos pósmodernos aprendem do seu jeito
Não se incomode com esta geração
Agora eles possuem a internet, o twitter o blog na mão
Estão lendo e escrevendo
Conforme o mundo vai crescendo
E é assim!
Não resmungue!
Corra, grite, pesquise, leia...
Planeje... mas
Não se estresse
Você possui um tesouro nas mãos
A educação.

LUCIMARA DE CASTRO BUENO




"Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser humano, sempre que alguém descobre esse poder algo antes considerado impossível se torna realidade". 
Albert Einstein



sábado, 15 de outubro de 2016

EU TENHO UM SUPERPODER EU ENSINO QUAL É O SEU?

ESTE TEXTO É UMA HOMENAGEM A TODOS OS PROFESSORES E PROFESSORAS DESTE BRASIL EM ESPECIAL AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES DAS ESCOLAS AS QUAIS TRABALHO: E.E.E.M.EUGÊNIO KORSACK- LAJEADO DO BUGRE, RS,  E.M.E.F. 30 DE NOVEMBRO E E.M.E.F. PADRE ROQUE GONZALES- JABOTICABA, RS, QUE ASSIM COMO EU FAZEM ESFORÇO INFIMO PARA MEDIAR O CONHECIMENTO E PODER LEVAR PARA NOSSOS ALUNOS UM POUCO MAIS DE ESPERANÇA DE UM PAÍS MELHOR.
SAÚDO A TODOS. PARABÉNS!!!.


            Esta é a história de Luci, uma menina sonhadora. Desde muito cedo despertou nela a vontade de transformar o mundo e assim foi crescendo cheia de vontades, cheia de desejos. Não podia ver nenhuma injustiça que uma “luzinha” acendia dentro dela e a menina se transformava. Mesmo que não manifestasse, pois era tímida, o seu coração gritava e isso a inquietava. Assim ela era, desde pequena, sempre acreditando que um dia teria força para mudar o mundo, mudar as coisas erradas. Luci sonhava em ter um superpoder.
            Assim cresceu aquela doce criança. Luci era franzina, de poucas amizades, nunca viajara ou passara férias em algum lugar diferente. Suas brincadeiras preferidas era rabiscar com o giz que ganhara de sua professora da segunda série nas paredes do galpão que havia na residência onde morava com sua família. Todas as tardes depois de lavar a louça para sua mãe a menina se deslocava até o galpão para brincar. Ela era a professora e suas amiguinhas virtuais, ops!, virtuais não! Invisíveis, eram suas alunas. Luci brincava de ensinar, imaginava ter um superpoder. Ali durante horas ela conversava, explicava e colocava suas ideias sobre os assuntos que não achava correto.
            O que mais Luci gostava era de brincar de ensinar e também de estudar. Cresceu ouvindo seu pai lhe aconselhar sobre a importância dos estudos na vida. O pai de Luci sempre foi um homem muito sério, desconfiado, honesto e muito trabalhador, estudou pouco, mas possuía uma mente muito sábia. Já a mãe sempre foi muito simples, generosa, dedicada aos filhos e ao marido. Uma mulher de muita fé, firme em seus passos, a qual a família não possuía horizonte sem ela. Enfim, para a pequena Luci seu pai e sua mãe foram sempre seu maior exemplo de vida.
            O tempo foi passando e Luci foi crescendo. Sua infância foi muito bonita e saudável. Brincava no meio do arvoredo, subia em um pé de pitangueira até as pontas dos galhos para alcançar as frutas maiores e vermelhas e rabiscava as paredes do galpão com seu giz. Chegou um dia que já não havia mais lugar nas paredes para escrever, pois tudo o que ela escrevia ficava lá, marcado nas tábuas.
            Aos poucos a arte de brincar de ensinar foi ficando para trás. A menina sonhadora cresceu. Veio à adolescência, sempre marcada pela grande vontade de mudar o que estava errado, apesar de já entender que nem tudo poderia ser mudado.
            Há alguns dias atrás tive noticias daquela garotinha cheia de esperanças. Fiquei sabendo que vive em uma pequena cidade do interior. Com muito esforço se formou em uma faculdade há alguns anos.
             Disseram-me que continua dedicada e ainda com grande vontade de transformar. Com sonhos na mente e no coração, vai tentando semear em cada criança, em cada adolescente e jovem com quem tem contato diariamente, a esperança de um mundo cheio de amor e menos injustiças. Desta vez, me contaram que as crianças não são mais invisíveis, como nas suas brincadeiras de infância, mas pessoas de verdade. A menina possui a sala cheia de alunos e alunas que a escutam com admiração.
            Contaram-me ainda, que Luci muitas vezes pensou em desistir, mas aquela “luzinha” é, aquela “luzinha”, do tempo que brincava de ensinar, ainda esta viva dentro dela e que continua mais forte, mais determinada, cheia de vontades e o mais importante que ela possui um superpoder! Veja! Ela possui um superpoder! É! Lembra que no começo desta história te contei que Luci queria ter um superpoder, pois então, dizem por ai que a menina conseguiu, bem... penso que nem ela mesma sabia que iria conseguir... Então... Pois é... Luci é Professora, é... isso mesmo. Luci tem um superpoder- o de ensinar. E você? Já parou para pensar que a arte de ensinar, que ser Professor, ser Professora é a profissão mais poderosa que existe? Sim, eu já parei. E se você ainda não reconhece isso, por favor, observe ao seu redor e me diga se alguém neste mundo consegue se formar em alguma coisa sem antes passar pelas mãos de um Professor (a). Eu fiz essa reflexão e hoje tenho certeza que ser Professor é ter Superpoder.
            Áh! Também me contaram, não posso dizer quem, pois prometi segredo, que além da professora Luci tem outras superpoderosas (os) nas escolas que ela leciona. Há outras grandes mulheres e homens com superpoder e que diariamente atacam seus alunos plantando na mente e no coração mais amor, mais esperanças e o desejo de transformar o mundo.

            Obrigada a você por tirar um tempo para ler esta singela história.

 LUCIMARA DE CASTRO BUENO.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

OS PROFESSORES COMO INTELECTUAIS



            A partir de uma reflexão crítica acerca da prática educacional no ensino público pode-se verificar que a visão de escola para o modelo tradicionalista é aquela voltada apenas para a instrução, ignorando que além do conhecimento transmitido ela é um local político e cultural. Desta maneira, para os teóricos críticos da pedagogia crítica, assim como Henry Giroux a escola é uma espaço público que possibilita o aprendizado e as habilidades necessárias para viver em uma democracia de fato. A construção da escola como esfera pública democrática se dá em torno de investigação crítica que dá sentido ao diálogo e à atividade humana.
            Conforme o teórico crítico Henry Giroux para que o discurso democrático fomente na esfera do ensino público e deveras valorize o diálogo e as atividades em que relacionam escola-sociedade faz-se necessário que aconteça de forma democrática também a relação professor aluno. E que não aconteça a reprodução dos antepassados, reprodução de opressão e autoritarismo, ou seja, o papel que o professor poderia desempenhar é de intelectual transformador desenvolvendo uma pedagogia, ou uma forma contra hegemônica, como argumenta GIROUX (1997, p. 28-29):
Contra hegemônica que não apenas fortalecem os estudantes ao dar-lhes o conhecimento e habilidades sociais necessários para poderem funcionar na sociedade mais ampla como agentes críticos, mas também educam-nos para a ação transformadora [...] educá-los para assumirem riscos, para esforçarem-se pela mudança institucional e para lutarem contra a opressão e a favor da democracia fora das escolas[...].

            Desta maneira, pode-se afirmar que o professor enquanto intelectual que atua na educação e que desempenha uma função social e política deve priorizar o ensino ou a escola democrática atuando como transformador, buscando através da reflexão e ação no interesse coletivo fortalecer seus alunos com as habilidades e conhecimentos necessários, sendo críticos e atuantes na sociedade.
            O fato preocupante é que se formos repensar a linguagem da escola percebe-se pouco diálogo acerca as escolas e a democracia, o que está mais em pauta é satisfazer as necessidades industriais e contribuir para a produtividade econômica, no caso como se a escola fosse uma fábrica de pessoas voltadas a satisfazer o capitalismo, ou seja, “a necessidade de desenvolver-se, em todos os níveis da escolarização, uma pedagogia radical preocupada com a alfabetização crítica e cidadania ativa deu lugar a uma pedagogia conservadora que enfatiza a técnica e a passividade.” (GIROUX. p. 33). A solução para tal problema seria encontrar um meio a fim de transformar ou tornar a escolarização significativa de forma a possibilitar aos estudantes uma educação voltada à formação de cidadãos ativos e críticos.
            Sendo assim a escola deve ser vista ou deveria ser vista, como um local tanto instrucional como cultural e o conhecimento por ela repassado valioso pelo poder que possui como modo de análise crítica e de transformação social. Para Giroux p. 39:
O conhecimento torna-se importante na medida em que ajuda os seres humanos a compreenderem não apenas as suposições embutidas em sua forma e conteúdo, mas também os processos através dos quais ele é produzido, apropriado e transformado dentro de ambientes sociais e históricos específicos.

                Para que esse argumento seja concretizado na escola faz-se necessário ter profissionais voltados para este tipo de conhecimento, professores que não apenas reproduzam modelos de ensino que já estão ultrapassados e que não surtem mais nenhum efeito, ou que surtem, mas seu efeito é estudantes passivos diante dos problemas. Em vez de estudantes ativos, que pensam criticamente e compreendem a necessidade de lutar individualmente e coletivamente por uma sociedade mais justa. Conforme o excerto:

As escolas precisam de professores com visão de futuro que sejam tanto teóricos como praticantes, que possam combinar teoria, imaginação e técnicas. Além disso, os sistemas escolares públicos deveriam cortar suas relações com instituições de treinamento de professores que simplesmente formam técnicos, estudantes que funcionam menos como estudiosos e mais como funcionários. Esta medida pode parecer drástica, mas é apenas um pequeno antídoto quando comparada com o analfabetismo e incompetência crítica que estes professores com freqüência reproduzem em nossas escolas. (GIROUX, 1997. p. 40).


            A partir dos anos 60, 70 houve um movimento de novos sociólogos que se uniram para pensar em um meio de fazer uma reforma no ensino na escola especialmente no desenvolvimento curricular ( na disciplina de estudos sociais) por estar faltando aos educadores a compreensão de que a escola é de fato uma instituição sócio- política. Os educadores reformistas embasaram-se na falta de preparação dos professores e materiais curriculares que superestimavam a capacidade cognitiva dos estudantes. Os educadores focalizaram criticamente uma série de suposições a cerca das interações e sala de aula e encontros sociais e com isso levantaram o questionamento: “ o que se aprende nas escola?”.
            Seguindo as reflexões de Giroux na escola o estudante aprende mais do que simplesmente conhecimento e habilidades instrucionais, ou seja, ele aprende muito mais do que está no currículo formal. O estudante aprende normas, princípios de conduta por possuir, a escola, uma função social.
            Muito se têm discutido, pesquisado e analisado sobre a questão da educação, em especial sobre os movimentos  e seus objetivos; que meso questionado sempre trouxeram alguma luz à complexidade do ensino. Neste caso Giroux aborda o movimento Behaviorista e humanista que para ele nem um nem outro fazem relação entre conhecimento de sala de aula e categorias socialmente construídas:
Nem os humanistas nem os behavioristas reportaram-se adequadamente as barreiras que impedem a compreensão e diálogo humano acerca do relacionamento entre o conhecimento socialmente construído e as dimensões normativas da interação em sala de aula. (Giroux, p. 81)
       
             De fato, para que os estudantes compreendam o conhecimento como sendo fundamental e este seja significativo em sua aprendizagem, as escolas têm que possuir isso claro em seus objetivos, de maneira que consiga oportunizar aos estudantes a compreender a natureza política do processo de ensino quanto a usá-lo aplicando a crítica e análise que os ajudarão quando deixarem a sala de aula e ingressarem na sociedade mais ampla. Sendo assim, as escolas incitarão as experiências educacionais de seus alunos, que esclarecerão a riqueza política e complexidade social da interação entre a que é aprendido na escola e s experiência da vida cotidiana.
            Assim, a escola deverá priorizar em primeiro momento a alfabetização de seus atores, mas não basta somente priorizar o saber ler e escrever, a alfabetização deve ser pensada de forma que o estudante aprenda a ler sim, mas criticamente, que consiga decodificar seus mundos pessoais e sociais, ou seja, o conhecimento deverá ser compreendido como força mediadora entre as pessoas.
            O sujeito deverá ser envolvido pela aprendizagem ao realizar o seu estudo, ou seja, tanto o aluno quanto o professor deverão ser vistos como intelectuais transformadores. O ato de estudar, o faz intelectual e com isso sempre formam e transformam alguma coisa ou alguém ao seu redor ou no lugar onde vivem.
            É assim que o lugar do aprendizado mais especificamente a escola, deveria ser reconhecida, como um espaço em que o aluno compreenda as práticas sociais e culturais que acontecem em seu entorno com criticidade, criando a possibilidade de poder se manifestar, expondo o que pensa de forma inteligente e transformadora. Como argumenta Giroux 1997, p. 138: “Os educadores críticos precisam fazer mais do que identificar a linguagem e valores das ideologias corporativas manifestas no currículo escolar; eles precisam desconstruir os processos através dos quais eles são produzidos e postos em circulação”.
            Ainda sobre tal processo Freire é citado por Giroux 1997, p. 146-147, com o seguinte argumento:
A educação inclui e vai além da noção de escolarização. As escolas são apenas um local importante no qual ocorre a educação, no qual homens e mulheres tanto produzem como são produtos de relações sociais e pedagógicas específicas. A educação representa tanto a luta por significado quanto uma luta em torno das relações de poder.

            Contudo, a educação se faz na convivência, na relação dialética dos sujeitos entre si que relacionam dentro de certas condições históricas e limitações estruturais específicas, de outro lado de uma sociedade que se forma a partir de formas e ideologias culturais que contradiz às outras.
            Percebendo-se o quanto complexo se torna a prática da educação, pode-se dizer que cada vez mais se faz emergente que os educadores devem ter um comprometimento apaixonado, que consiga tornar o político mais pedagógico, e assim acreditar que educar é humanizar, alertando desta maneira os aprendizes de que não se deixe levar, não se deixe dominar por discursos não convincentes. Os estudantes devem aprender a usar o seu próprio discurso e ter uma visão mais crítica acerca da sociedade em que fazem parte sendo indivíduos ativos e construtores de sua própria história.
            Com isso, muitas mudanças educacionais ainda serão desafiadoras ou ameaçadoras aos profissionais da educação, uma vez que historicamente certas ideologias já estão constituídas e enraizadas na sociedade e parece que qualquer movimento que o contrarie é motivo de preocupação. Muitas vezes certas reformas educacionais privam o professor da escola pública de oferecer ao estudante uma liderança intelectual e moral. Percebe-se isso no argumento de Giroux, 1997, p. 157:
Muitas das recomendações que surgiram no atual debate ignoram o papel que os professores desempenham na preparação dos aprendizes para serem cidadãos ativos e críticos, ou então sugerem reformas que ignoram a inteligência, julgamento e experiência que os professores poderiam oferecer em tal debate. Quando os professores de fato entram no debate é para serem objeto de reformas educacionais que os reduzem ao status de técnicos de alto nível cumprindo ditames e objetivos decididos por especialistas um tanto afastados da realidade cotidiana da vida em sala de aula.

                Analisando o argumento de Giroux, percebe-se o quanto complexo se torna a atividade docente, e com isso cada vez mais o professor perde perante a sociedade o seu papel de praticantes reflexivos e de certo modo de intelectuais transformadores. Há uma crescente desvalorização e desabilitação do trabalho do professor, pois, de forma acelerada ideologias instrumentais são desenvolvidas que enfatizam uma abordagem tecnocrática para a preparação dos docentes e também para a pedagogia se sala de aula. Materiais prontos que fere muitas vezes a moralidade do professor, instruções que nada tem a ver com a realidade tanto do professor quanto do aluno, desvalorizando-os e fazendo-os crer que são incapazes de pensar. Como afirma Giroux, 1997, p. 161: “A noção de que os estudantes têm histórias diferentes e incorporam experiências, práticas lingüísticas, culturas e talentos diferentes é estrategicamente ignorada dentro da lógica e contabilidade da teoria pedagógica administrativa”.
            Pensar diferente do descrito acima é o que nos leva a refletir sobre atividade docente. Leva-nos a pensar no professor como um intelectual que possui a capacidade humana de integrar o pensamento e a prática e assim serem transformadores de certas ideologias que somente os desvaloriza.
            Para isso, é importante que os professores exerçam sua atividade com responsabilidade ativa sobre o que estão ensinando, pois são eles responsáveis pela formação dos propósitos e condições de escolarização. Os educadores devem ser reconhecidos como promotores de mudanças. Para o teórico em estudo o professor deve trabalhar para criar condições que dêem aos estudantes a oportunidade de tornarem-se cidadãos que tenham o conhecimento e coragem de lutar a fim de que o desespero não seja convincente e a esperança seja viável. Apesar de parecer uma tarefa difícil para os educadores, esta é uma luta que vale a pena travar. Proceder de outra maneira é negar aos estudantes a chance de assumirem o papel de intelectuais transformadores. ( GIROUX, 1997, p. 163).
            Para finalizar meu esboço acerca deste importante debate que ainda será assunto para longos anos no que se referir as mudanças educacionais, quero destacar aqui o quanto difícil é a tarefa de proceder como intelectual transformador. Pois, somente quem exerce sua atividade docente em uma escola pública, cheia de problemas estruturais, encarando uma sala de aula lotada com alunos que em sua maioria não recebem na família valores necessários para poderem ter uma convivência amistosa com colegas e professores, é que sabem realmente o que é ser professor. Ser professor é sentir, é viver com seu aluno aquilo que jamais imaginou viver. É doar seu corpo, sua mente ... para poder conquistá-lo e talvez daí, conseguir ser admirado por ele.

LUCIMARA DE CASTRO BUENO

 GIROUX, Henry A. OS PROFESSORES COMO INTELECTUAIS: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. GIROUX, Henry A.; trad. Daniel Bueno.- Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

INFÂNCIA

“... A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias. Se for esburacado demais vamos tropeçar mais, cair com facilidade e quebrar a cara o que pode até ser saudável, pois nos dará chance de reconstruirmos nosso rosto. Quem sabe um rosto mais autêntico. Mas às vezes ficaremos paralisados...” ( Lya Luft- Perdas e ganhos, p. 26)
            Refletir sobre nossas práticas pedagógicas é o objetivo do presente texto, a partir do excerto de Lya Luft, abordo o tema “infância” em homenagem ao Dia das Crianças e aproveito para também homenagear “Nossa protetora brasileira, nossa Senhora Aparecida”, que interceda por todas as crianças deste nosso Brasil, lhes transmitindo muita segurança em seus passos e sabedoria para saber aonde pisar.
            Hoje dia 12 de outubro de 2016, ouço a chuva cair de leve em meu telhado, os passarinhos em coro cantam empoleirados nas árvores ao redor de casa e eu aproveito para curtir tudo isso, enquanto escrevo estas linhas singelas, refletindo sobre o papel da família, do pai ou mãe, de um só ou dos dois juntos e do professor/professora nos primeiros anos de vida de uma criança.
            Certamente a infância de qualquer pessoa reflete na vida adulta, por isso a família muito antes da escola, pois é o primeiro contato da criança, tem que saber como educar. Penso que toda mulher e todo homem deveria realizar um curso para aprender como lidar, ou melhor, como educar uma criança, (só assim poderíamos quem sabe, dizer que acertamos ou erramos com nossos filhos), pois afinal quando não se é planejado (a maioria não é), não se sabe quando uma mulher ou um homem será mãe e/ou pai. Diferentemente da professora, do professor que para trabalhar com crianças em uma escola é necessário curso superior em Pedagogia, eu disse Pedagogia..., não “notório saber” (como querem alguns políticos); notório saber possui aquela mulher ou aquele homem que acabei de descrever... aquele ou aquela que precisa realizar, se fosse possível, um curso para aprender ser pai ou ser mãe, uma vez que a criança não nasce com manual de instrução.
            Pois então, a infância é o que se leva para o resto da vida, tudo aquilo que a criança aprende nesta época ficará gravado de alguma maneira no seu caráter. Por isso, ser superprotetora poderá levar esta criança para um mundo cheio de tropeços, de ilusões, de inseguranças. É o que se percebe hoje, muitas mães protegendo demais seus filhos, suas filhas, de certa maneira com alguma razão, porque nossa sociedade está tão violenta que já não se consegue caminhar tranquilamente pela rua, isso certamente está formando uma geração cheia de medos, de incertezas.
            O que se sonha para todas as crianças, e é o que lutamos a cada dia em nossa profissão de Professor, é um mundo cheio de certezas, o qual as crianças possam pisar em chão firme sabendo o que está fazendo e se este chão for esburacado e ela cair, que saiba levantar limpar as feridas, erguer a “cabecinha” e siga em frente, construindo seu próprio pensar. Que ela olhe para o mundo, para o horizonte (se enxergar), e tenha um posicionamento consciente, critico e construtivo daquilo que se passa; mesmo que muitas e muitas vezes fiquem paralisadas.

Bom dia a você que tirou um tempinho para esta leitura. Nossa senhora Aparecida lhe proteja.


 Lucimara De Castro Bueno.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O BOM PROFESSOR E SUA PRÁTICA

       O artigo descrito abaixo foi escrito a partir da leitura do texto: O bom professor e sua prática de Maria Isabel da Cunha, espero poder contribuir com sua leitura e o faça refletir sobre o verdadeiro papel do bom professor.


A leitura realizada possibilitou (perceber) reafirmar o entendimento de que o professor exerce um papel relevante no contexto escolar. É certo afirmar que não se faz escola sem professor, também é certo dizer que nem sempre o papel do bom professor é considerado tão importante quanto é e que sua pratica muitas vezes é permeada pelas relações de poder existente na sociedade que são ao mesmo tempo, causa e consequência da realidade escolar.
Como ressalta Cunha (2000 p. 27):

A importância e significado do papel do professor não dependem exclusivamente dele. Compreendendo a escola como uma instituição social, reconhece-se que o seu valor será atribuído pela sociedade que a produz. Reconhece-se, também, que a importância do papel do professor varia em função dos valores e interesse que caracterizam uma sociedade em determinada época.

Desta maneira, considera-se de suma importância a formação destes profissionais para o enfrentamento desta atual sociedade que reconhece outros valores como fundamentais, para que a ação de ensinar e aprender não se torne de pouco interesse aos estudantes. É preciso que o professor, o bom professor, que é o sujeito aqui em debate tenha consciência de que sua formação proporcionará aos aprendizes  a oportunidade de serem sujeitos construtores da sua própria história. O bom professor se preocupa com o que ensina e busca cada vez mais a sua formação, de tal maneira que procura formar sujeitos em sua totalidade problematizando as suas relações com a sociedade em que estão inseridos.
Por outro lado, o bom professor enfrenta em seu cotidiano uma série de impasses que dificulta o seu desempenho como professor, pois a realidade educacional brasileira não é positiva, o que impede, portanto que a sua prática pedagógica muitas vezes obtenha êxito e ele, o bom professor, seja visto como bom professor.
Segundo a pesquisa realizada por Cunha (2000), a prática pedagógica do professor esta determinada basicamente nas relações que o professor estabelece com o ser e o sentir, entra aqui o prazer de dar aula, o entusiasmo, a exigência, princípios e valores; nas relações que estabelece com o saber também deve ser considerada, pois nesta está focada aquilo que o professor irá ensinar a relação teoria e prática, a linguagem e a produção do conhecimento. E a outra relação descrita por Cunha (2000) é a relação que o professor estabelece com o fazer, nesta está incluída o seu planejamento, métodos, objetivos, a motivação do aluno e avaliação.
Desta forma torna-se evidente que para que o professor realize  a sua prática pedagógica com o prazer e entusiasmo ele precisa primeiro gostar de ser professor, caso contrário nunca irá desempenhar a sua tarefa com êxito e com isso também deixará de cobrar de seus alunos os valores que devem ser cobrados no ambiente escolar, em sala de aula. Também é claro que apenas gostar do que faz não é suficiente para realizar a arte de ensinar com segurança e fazendo-se ser compreendido pelos alunos, obviamente é necessário é conseguir fazer com que os alunos relacionem a teoria à prática, fazendo assim com que o que foi ensinado tenha maior significado ao aluno, pois uma das grandes dificuldade no meio do magistério é fazer relações significativas entre a teoria e prática. Nem sempre o que se teoriza é compreendido na prática para a produção do conhecimento.
Conforme Cunha (2000, p. 114) ao citar (Freire, op. cit., p. 178): Os professores considerados BONS pelos alunos conseguiram compreender que é pela linguagem que o homem assimila, perpetua ou transforma a cultura e que, talvez, seja ela ... “o maior instrumento de mediação entre o homem e a sua realidade social”.
Outro aspecto de grande importância destacada por Cunha (2000) está relacionado com o compromisso do planejar, aqui é claro depende de como cada professor o executa para o bom desenvolvimento de suas aulas. O que importa é ter uma preparação prévia para poder organizar e diagnosticar situações que melhor respondam às expectativas dos alunos.
Certamente se formos verificar de fato, uma relação depende da outra, se o professor não estabelecer todas elas estará deixando a desejar em sala de aula, podendo causar um desconforto e a falta de motivação tanto do professor como pelo aluno quanto ao aprendizado. Sendo assim a concepção de bom professor é vista dentro de uma concepção de educação, de ensino e de aprendizagem. Se essas concepções forem alteradas, o conceito de bom professor será alterado da mesma forma, para que isso não aconteça é preciso que o professor busque formação zelando pela sua boa prática e principalmente pela educação.

LUCIMARA DE CASTRO BUENO