domingo, 27 de agosto de 2017

SOBRE PESQUISA...

Pesquisa documental e Pesquisa etnográfica


Os textos a seguir nos levam a compreender que a pesquisa documental é muito pouco utilizada na área da educação, mas decisiva para a pesquisa em ciências sociais e humanas. Refletir sobre a análise documental é compreender que se busca identificar informações em documentos, ou seja, é pesquisar bibliograficamente ou utilizando-se também de filmes, vídeos, slides, fotografias ou pôsteres aquilo que se pretende. Como nos lembra Silva, Almeida, Guindani (2009, p. 3) (apud Helder, 2006), “a técnica documental vale-se de documentos originais que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor”.
            Sobre pesquisa documental, segundo Silva, Almeida, Guindani (2009, p. 6) (apud Oliveira, 2007), “caracteriza-se pela busca de informações em documentos que não receberam nenhum tratamento cientifico, como relatórios, reportagens de jornais, revistas, cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras matérias de divulgação”.
            Silva, Almeida e Guindani (2009, p. 6), seguem discorrendo que a pesquisa documental e a pesquisa bibliográfica estão muito próxima uma da outra, o que as difere é que esta remete para as contribuições de diferentes autores e aquela recorre a matérias que ainda não receberam tratamento analítico, no entanto o pesquisador necessita um olhara mais atento aos documentos analisados justamente pelo fato de não passarem antes por nenhum tratamento cientifico.
            Desta maneira Silva, Almeida e Guindani (2009, p.8) (apud Cellard, 2008), nos lembra que a analise documental se constitui de observar o contexto, o autor(os autores), a autenticidade e a confiabilidade do texto, a natureza do texto, os conceito -chave e a lógica interna do texto, as quais os pesquisador deve ter um olhar critico e cauteloso ao avaliar.
            Assim, seguindo a reflexão sobre pesquisas, pode-se dizer que pesquisar é apreciar a sabedoria, é unir a teoria e a prática e a partir da analise destas concluir sobre uma determinada realidade ajudando-a em sua transformação ou servindo mais como reflexão, o que de certa forma, também é transformar. Como Salienta Tezani (2004, p. 2) (apud Nosella, 2000), “ “viciado” no ensino-aprendizagem investigativo e autônomo , nos processos metodológicos criativos, o estudioso tudo quer experimentar, tudo indaga, sobre tudo questiona. O espírito investigativo se volta para o ainda não conhecido, isto é, para o futuro da ciência e não para o seu passado”.
            Segundo as recomendações de Tezani (2004, p.2) (apud Saviani, 1991),
“um bom e completo trabalho de investigação e de pesquisa inicia pela escolha do tema, a formulação do problema, a delimitação do objeto assim como o estabelecimento da metodologia e respectivos procedimentos de análise, redigindo, em consequência, o texto correspondente com uma estrutura lógica adequada à compreensão plena por parte dos leitores, do assunto tratado”.
            Para Severino (2000), citado por Tezani (2004, p.3), “a escolha do tema de pesquisa, bem como a sua realização, necessariamente é um ato político”
            Então pode-se referir que o objeto a ser pesquisado deve  ser relacionado com a revisão critica das teorias para que esse novo conhecimento a ser criado possa vir a contribuir para melhorar os problemas sociais existentes em um determinado local.
            A partir disto, podemos compreender por pesquisa etnográfica, aquela que aborda a vida cotidiana, que está voltada ao processo educativo, Como lembra Tezani (2004, p.10) (apud André 1995), “a pesquisa etnográfica exige do pesquisador um prolongado tempo de permanência no campo de pesquisa”.
            A pesquisa etnográfica adota uma metodologia em que o pesquisador também é observado, ele está inserido, faz parte do grupo, interagindo e compartilhando do seu cotidiano. Para isso o pesquisador deve assumir uma relação de confiança entre os sujeitos envolvidos, deve estar disposto a interagir com o grupo. Conforme Tezani (2004, p.10) (apud Caldeira 1995), o estudo etnográfico requer que “o investigador vá ao campo onde vivem os sujeitos da ação que se deseja revelar permanecendo por ali por um tempo prolongado que lhe permita penetrar na vida cotidiana e tornar visíveis os distintos significados e ações que ocorre em seu interior”. Ou ainda, “o pesquisador é considerado o principal instrumento de coleta de dados, pois ele faz parte da cena”.
            Por isso, podemos afirmar que toda pesquisa assume um papel relevante a fim de contribuir para ampliação do conhecimento em qualquer área. Sendo assim, tanto a pesquisa documental quanto a etnográfica ambas possui o mesmo valor na área da pesquisa, principalmente em educação. Tanto uma quanto a outra enfatiza a educação enquanto processo social, cultural e histórico.

REFERÊNCIAS:
SILVA, Jackson R.S; ALMEIDA, Cristovão D; GUINDANI, Joel Felipe. Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais. V. 1, p. 1-15, julho 2009. ISSN: 2175-3423.
TEZANI, Thais Cristina Rodrigues. As interfaces da pesquisa etnográfica na educação. Faculdade Fênix de Bauru, SP, p. 1-17 , fev/ab 2004.

por : Lucimara de Castro Bueno.



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