COMPLEXIDADE
E INTERDISCIPLINARIDADE
No estudo do conhecimento cientifico
existem parâmetros alinhadores do conhecimento, ou seja, de acordo com o autor
a teoria da complexidade traça caminhos para que o trabalho científico não se
torne “redutível a simplicidade”, ou seja, seus objetivos não se tornem
neutros. Uma das características importantes da complexidade são os
questionamentos do homem e sua natureza, o pensamento interior como resultado
de um estímulo exterior. Na verdade, complexidade não esta relacionado
ao simples, mas aquilo que é complexo, difícil. Demo (2000, p. 65), enfatiza
que “complexidade não é redutível à simplicidade”.
Sendo assim, a complexidade daquilo
a ser trabalhado é que irá determinar o sucesso da investigação, quanto mais difícil,
mais interessante se torna. Ou seja, como lembra Demo (2000, p. 65) ela pode
ser uma benção (positivo) ou uma maldição (negativa)- vejamos conforme
definição do autor, que complexidade é compreendida como positiva quando
tratar-se do fato de ser uma investigação instigadora, interessante. E quando
Demo trata como uma maldição se refere ao processo de realização imediata da
pesquisa. Por ser complexa lavará certamente maior período para ser concluída.
Desta forma, pode-se dizer que
complexidade dentro do processo do conhecimento científico não possui
limitadores, porém é diferente. Os saberes são diferentes.
Sendo assim, a complexidade das
coisas se deve ao fato de que as pessoas possuem conhecimentos diferentes. Está
relacionado àquilo que a pessoa conhece do mundo- externo, as sua experiências
vividas, o seu olhar acerca das coisas que a rodeia, e por outro lado àquilo
que está relacionado ao mundo interior, ou seja, a sua imaginação, a capacidade
de pensar a partir do interno, do humano. Assim, aquele que se desafia a
pesquisar deverá observar as definições da complexidade do conhecimento para
que sua investigação tenha progresso em qualquer área.
O conhecimento científico e sua
complexidade são múltiplos. Demo (2000, p.67 apud Rescher), deixa esclarecido
que complexidade crescente é fato da vida na natureza e destaca os modos como
ela é manifestada neste meio. A complicação das coisas pode se dar de modo
lógico ou antológico.
Ao se referir ao nível lógico, Demo
(2000, p.67), fala da complexidade descritiva, a qual segundo ele “é relativa à
adequada descrição dos sistemas, sempre incompleta”. Quanto a complexidade
generativa, tem a ver com conjunto de instruções para produzir sistemas, sempre
reconstruído de modo imperfeito; a complexidade computacional, é aquela que se
refere ao montante imprevisível de tempo e esforço para resolver problemas de
processamento de informação.”
Enquanto que no nível ontológico, o
conhecimento científico se dá em três categorias e dentro destas há uma
subdivisão de saberes. Sendo assim, teremos a complexidade composicional,
subdividida em constitucional, que se refere ao número de componentes e
complexidade taxonômica, relativa a heterogeneidade ou variedade de elementos
constituintes; a complexidade estrutural que se subdivide em organizacional,
que tem a ver com o arranjo das partes e sua inter-relações, e complexidade
hierárquica tem a ver com relações de subordinação. Possui ainda a complexidade
funcional, a qual se divide em operacional,
relativa à variedade dos modos de operação e a complexidade nômica, relativa ao
nível de elaboração e das leis que governa os fenômenos.
Quando se fala em conhecimento
científico e suas complexidades devemos ter em mente que nem toda a pesquisa
será realizada com perfeição. Porque muitas vezes o que podemos reconhecer na
teoria não é o que reconhecemos na prática ou ao contrário disso. Então,
podemos considerar que as ciências não são perfeitas.
Desta forma, considerando as
diversas maneiras como pode-se ser realizada uma pesquisa diante de sua complexidade,
devemos perceber que não existe um único método para se chegar em sua
definição. Morin foi na Europa considerado o fundador da ciência da
complexidade e desde muito já criticava o caminho equivocado que seguia o
positivismo moderno, chamando-a de ditadura do método. Ou seja, o seguimento
dos métodos, acreditavam que a ciência devia seguir apenas um caminho para se
obter o conhecimento científico, o que não é verdade, pois sabemos que as
ciências – naturais- sociais- humanas, são complexas e dentro disso teremos que
reconhecer que cada uma delas possui um tipo de conhecimento- dentro da sua
especialização. No entanto, ela isolada não se fundamenta em uma investigação.
Por isso, podemos atribuir a essa
mescla de saberes a interdiciplinaridade- ou como salienta Demo (2000, p. 72), “seria
mais realista ver a interdisciplinaridade como trabalho em grupo, cada membro
trazendo sua contribuição especializada, em vez de postas em individualidades
interdisciplinares”.
Desta maneira, fica evidente que o
trabalho em grupo deve ter a participação de vários saberes- chama-se
interdisciplinar. Cada ciência devido sua complexidade, possui um especialista
que possui um conhecimento ou método aprofundado sobre ela e assim unindo as
demais ciências aprofunda ainda mais o conhecimento científico. Nesta concepção
Demo (2000, p. 73), nos lembra que por exemplo, “as ciências naturais apreciam
métodos quantitativos, enquanto as
sociais apreciam os qualitativos, mas, no fundo, colocam-se a mesma
questão da cientificidade”.
A interdisciplinaridade e as
especialidades estão intrinsecamente ligadas, pois todas as especialidades são
importantes não existe a possibilidade de ser especialista em tudo, há a
necessidade de se aprofundar em um conhecimento especifico, sendo assim cada
individuo com sua contribuição, que só pode ser construída através de uma
construção do conhecimento solida, abrangente e flexível. No contexto
interdisciplinar cada especialista contribui com sua individualidade disciplinar
tornado o trabalho de pesquisa diversificado e de melhores resultados, pois não
faz muito sentido interdisciplinar especializações de áreas idênticas, nesse
caso os resultados não seriam tão abrangentes e não abordariam vários assuntos.
A interdisciplinaridade
diversificada de forma que abordem os resultados quantitativo apreciados pela
ciências naturais e qualitativos abordados pelas ciências sociais gerara uma
relativa universalidade do conhecimento, o tornando mais eficaz e sofisticada.
De acordo com o exposto no texto,
pode-se concluir que a interdisciplinaridade aqui abordada, dentro de sua
complexidade faz alusão à necessidade epistemológica e ontológica das relações
entre as disciplinas e assim elas poderem comunicar-se e integrarem-se. Assim,
diante deste processo Demo (2000, p. 74), lembra que a organização curricular
acadêmica necessita compreender as relações interdisciplinares das ciências
para que possa contribuir com a inovação no conhecimento científico. Segundo
ele, as instituições são rígidas, deixando aparecer contradição performativa
angustiante- pretende inovar sem inovar-se.
DEMO, Pedro. Metodologia
do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
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