quinta-feira, 10 de agosto de 2017

COMPLEXIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE

            No estudo do conhecimento cientifico existem parâmetros alinhadores do conhecimento, ou seja, de acordo com o autor a teoria da complexidade traça caminhos para que o trabalho científico não se torne “redutível a simplicidade”, ou seja, seus objetivos não se tornem neutros. Uma das características importantes da complexidade são os questionamentos do homem e sua natureza, o pensamento interior como resultado de um estímulo exterior. Na verdade, complexidade não esta relacionado ao simples, mas aquilo que é complexo, difícil. Demo (2000, p. 65), enfatiza que “complexidade não é redutível à simplicidade”.
            Sendo assim, a complexidade daquilo a ser trabalhado é que irá determinar o sucesso da investigação, quanto mais difícil, mais interessante se torna. Ou seja, como lembra Demo (2000, p. 65) ela pode ser uma benção (positivo) ou uma maldição (negativa)- vejamos conforme definição do autor, que complexidade é compreendida como positiva quando tratar-se do fato de ser uma investigação instigadora, interessante. E quando Demo trata como uma maldição se refere ao processo de realização imediata da pesquisa. Por ser complexa lavará certamente maior período para ser concluída.
            Desta forma, pode-se dizer que complexidade dentro do processo do conhecimento científico não possui limitadores, porém é diferente. Os saberes são diferentes.
            Sendo assim, a complexidade das coisas se deve ao fato de que as pessoas possuem conhecimentos diferentes. Está relacionado àquilo que a pessoa conhece do mundo- externo, as sua experiências vividas, o seu olhar acerca das coisas que a rodeia, e por outro lado àquilo que está relacionado ao mundo interior, ou seja, a sua imaginação, a capacidade de pensar a partir do interno, do humano. Assim, aquele que se desafia a pesquisar deverá observar as definições da complexidade do conhecimento para que sua investigação tenha progresso em qualquer área.
            O conhecimento científico e sua complexidade são múltiplos. Demo (2000, p.67 apud Rescher), deixa esclarecido que complexidade crescente é fato da vida na natureza e destaca os modos como ela é manifestada neste meio. A complicação das coisas pode se dar de modo lógico ou antológico.
            Ao se referir ao nível lógico, Demo (2000, p.67), fala da complexidade descritiva, a qual segundo ele “é relativa à adequada descrição dos sistemas, sempre incompleta”. Quanto a complexidade generativa, tem a ver com conjunto de instruções para produzir sistemas, sempre reconstruído de modo imperfeito; a complexidade computacional, é aquela que se refere ao montante imprevisível de tempo e esforço para resolver problemas de processamento de informação.”
            Enquanto que no nível ontológico, o conhecimento científico se dá em três categorias e dentro destas há uma subdivisão de saberes. Sendo assim, teremos a complexidade composicional, subdividida em constitucional, que se refere ao número de componentes e complexidade taxonômica, relativa a heterogeneidade ou variedade de elementos constituintes; a complexidade estrutural que se subdivide em organizacional, que tem a ver com o arranjo das partes e sua inter-relações, e complexidade hierárquica tem a ver com relações de subordinação. Possui ainda a complexidade funcional, a qual  se divide em operacional, relativa à variedade dos modos de operação e a complexidade nômica, relativa ao nível de elaboração e das leis que governa os fenômenos.
            Quando se fala em conhecimento científico e suas complexidades devemos ter em mente que nem toda a pesquisa será realizada com perfeição. Porque muitas vezes o que podemos reconhecer na teoria não é o que reconhecemos na prática ou ao contrário disso. Então, podemos considerar que as ciências não são perfeitas.
            Desta forma, considerando as diversas maneiras como pode-se ser realizada uma pesquisa diante de sua complexidade, devemos perceber que não existe um único método para se chegar em sua definição. Morin foi na Europa considerado o fundador da ciência da complexidade e desde muito já criticava o caminho equivocado que seguia o positivismo moderno, chamando-a de ditadura do método. Ou seja, o seguimento dos métodos, acreditavam que a ciência devia seguir apenas um caminho para se obter o conhecimento científico, o que não é verdade, pois sabemos que as ciências – naturais- sociais- humanas, são complexas e dentro disso teremos que reconhecer que cada uma delas possui um tipo de conhecimento- dentro da sua especialização. No entanto, ela isolada não se fundamenta em uma investigação.
            Por isso, podemos atribuir a essa mescla de saberes a interdiciplinaridade- ou como salienta Demo (2000, p. 72), “seria mais realista ver a interdisciplinaridade como trabalho em grupo, cada membro trazendo sua contribuição especializada, em vez de postas em individualidades interdisciplinares”.
            Desta maneira, fica evidente que o trabalho em grupo deve ter a participação de vários saberes- chama-se interdisciplinar. Cada ciência devido sua complexidade, possui um especialista que possui um conhecimento ou método aprofundado sobre ela e assim unindo as demais ciências aprofunda ainda mais o conhecimento científico. Nesta concepção Demo (2000, p. 73), nos lembra que por exemplo, “as ciências naturais apreciam métodos quantitativos, enquanto as  sociais apreciam os qualitativos, mas, no fundo, colocam-se a mesma questão da cientificidade”.
            A interdisciplinaridade e as especialidades estão intrinsecamente ligadas, pois todas as especialidades são importantes não existe a possibilidade de ser especialista em tudo, há a necessidade de se aprofundar em um conhecimento especifico, sendo assim cada individuo com sua contribuição, que só pode ser construída através de uma construção do conhecimento solida, abrangente e flexível. No contexto interdisciplinar cada especialista contribui com sua individualidade disciplinar tornado o trabalho de pesquisa diversificado e de melhores resultados, pois não faz muito sentido interdisciplinar especializações de áreas idênticas, nesse caso os resultados não seriam tão abrangentes e não abordariam vários assuntos.
            A interdisciplinaridade diversificada de forma que abordem os resultados quantitativo apreciados pela ciências naturais e qualitativos abordados pelas ciências sociais gerara uma relativa universalidade do conhecimento, o tornando mais eficaz e sofisticada.
            De acordo com o exposto no texto, pode-se concluir que a interdisciplinaridade aqui abordada, dentro de sua complexidade faz alusão à necessidade epistemológica e ontológica das relações entre as disciplinas e assim elas poderem comunicar-se e integrarem-se. Assim, diante deste processo Demo (2000, p. 74), lembra que a organização curricular acadêmica necessita compreender as relações interdisciplinares das ciências para que possa contribuir com a inovação no conhecimento científico. Segundo ele, as instituições são rígidas, deixando aparecer contradição performativa angustiante- pretende inovar sem inovar-se.


DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.


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