sábado, 14 de outubro de 2017

Escrevo este singelo texto em homenagem aos grandes heróis e heroinas deste país. Sem os professores a sociedade se transforma num caos. Porém, o grande intuito da parte de alguns  gestores políticos deste país ainda é transformar a vida destes trabalhadores em um caos para igualmente a sociedade como um todo também se transformar. Professor! a profissão que transforma o mundo. Parabéns!! a todos os Professores e Professoras deste país. Especialmente aos meus colegas e amigos.

É A VIDA DE PROFESSOR
            O professor acorda cedo. Todos os dias soa o despertador às 6 horas da manhã. Sabe que mais um dia puxado terá. O professor se espreguiça, meio sem jeito para não acordar a companheira ao lado. Sai da cama. Tira o pijama. Se banha, se arruma e se perfuma.
            O entusiasmo é grande. Ele sabe que um punhado de gente pequena e gente grande estão a sua espera. O professor prepara a cuia para saborear um mate. Olha pro relógio da parede da cozinha, está marcando 06h20min. Pela janela confere se terá sol ou chuva, frio ou calor, ultimamente a temperatura no Sul está muito variada.
            O professor liga a TV para ver se alguma noticia esperançosa aparece. Enquanto toma o mate vai ouvindo os desastres. Se sente triste, suspira fundo, “parece mesmo, sem solução às coisas neste mundo!”.
            Vai até a cozinha prepara algo pra comer. Sabe que o desjejum é importante para a saúde do coração. Segue a risca as recomendações do médico. É a vida de professor...
            Já na rua...
            Vai a pé, de ônibus ou de trem. Não importa como chegar. Ele sabe que às 07h40min tem que estar lá.
            Na escola...
            Vai cumprimentando com um “Bom dia!” bem alegre as pessoas que encontra. Se dirige ao ponto digital marcando sua estimada presença, como se isso fizesse a diferença!.
            Chega à sala dos professores alguns escutam o seu Bom dia! Outros não. A maioria mulheres, que conversam três, quatro assuntos de uma só vez. As professoras contam sobre o final de semana, o temporal do dia anterior, das roupas que deixou no varal, das aulas que preparou e das provas que corrigiu... E assim, segue a vida do professor.
            Minutos antes do sinal a coordenadora pedagógica entra na sala para dar alguns recados. A ideia é pensar em atividades recreativas para comemorar o dia das crianças.
            Pois bem...
            O sinal soou exatamente às 07h40min.
            O professor leciona a Língua Portuguesa nas séries finais do ensino Fundamental. Então pega seu material em cima da mesa e se dirige para mais uma manhã de trabalho.
            Entre um passo e outro vai pensando na atividade. Vai perguntar aos alunos o que desejam para a sua idade!. Boa ideia! Certamente irão ficar contentes.
            No pátio da escola alguns alunos correndo, outros sentados. O professor passa a vai cumprimentando. Alguns alunos respondem outros com preguiça nem mexem a boca. Num canto do corredor dois meninos agarrados um chutando o outro e todo arranhado. Ele separa os dois. Conversa dizendo palavras bonitas e leva um chute na panturrilha.
            O menino sai correndo. O professor fica ali sofrendo com a dor e a calça manchada de barro. É a vida de professor.
            Na sala de aula todos a sua espera. Uns alunos em pé escorados na janela. Outros no fundo da sala com o boné na cara. Mais a frente outro grupo com caixinha de som escutando um Rapp “inocente”. O professor entra põe suas coisas na mesa dá “Bom dia”! E adivinha?
...
            É a vida de professor.
            O professor numa segunda tentativa solicita que o escutem. A sala é cheia. Vinte e sete alunos com um turbilhão de coisas na cabeça. E um só professor. Ah! Só pra lembrar a aula possui 45 minutos.
            Um aluno do fundão grita pra chamar a atenção: “oh! Fesor! Não fiz a lição e esqueci o caderno na casa da vó!. Na mesma sinfonia mais cinco alunos seguem o modelo.
            O professor muito querido lê para quem lhe dá ouvido. Inicia a aula de Português proferindo o poema “Aprendi” de Willian Shakespeare e assim o professor conquista mais alguns alunos que por dez minutos o escutam sem reclamar.
            Em seguida, o professor comenta sobre a comemoração do dia das crianças e pediu aos alunos o que gostariam de realizar. A maioria já foi logo dizendo: “Nada”! Outros disseram querer ouvir Rapp, enquanto que outros queriam jogar bola. Os alunos que não queriam nada foram logo gritando: -”fica quieta”! -“sua vaca”! – “vai a merda seu tongo”!.
            O professor acostumado com tanta criatividade não se surpreende. Anota tudo com muita atenção para mais tarde encontrar uma solução. É a vida de professor.
            A tarefa da aula é a discussão e escrita de um pequeno parágrafo sobre o texto lido. Muitos xingamentos e reclamações o professor ouve. É a vida de professor.
            Assim o ensino fica pela metade. A maioria dos alunos não se interessa e só passa pela cabeça o que não presta. Tá difícil. Tá complicado. E o professor sai da escola de cabeça cheia e decepcionado. É a vida de professor.
            Chega em casa exausto, sabe que ainda tem mais dois turnos para enfrentar. Trabalha tanto assim, não porque quer, mas para a família sustentar.
            É a vida de professor.
            A você minha homenagem neste 15 de Outubro. Sei que tem muita gente que te julga, mas saiba “estamos juntos”. Na minha frente não permito que ninguém julgue o teu trabalho. Se não for pra elogiar! Passe longe! Já vou avisar.
            Professor é um tesouro. Ainda a sociedade vai me dar razão. Quero ver onde papai e mamãe vão colocar seus filhinhos para estudar quando o professor desistir de ensinar.

 Lucimara De Castro Bueno
           





quarta-feira, 11 de outubro de 2017

 Escrevi este poema pensando nas crianças deste país que vivem sob o risco, que vivem na vulnerabilidade, sem um lar, sem ir à escola... enquanto, os governantes fazem a "farra" com o dinheiro que é nosso... que é das crianças... 


SER CRIANÇA...
Ser criança no mundo de hoje
É ter incertezas e certezas
É viver entre o sim e o não,
É rir ou chorar sem razão
É viver com o coração na mão
É ter sonhos sem poder sonhar.
SER CRIANÇA
É estar de olhos atentos para todos os lados,
Pois vive num mundo complicado
E sabe que está sujeito a todo o sacrifício.

SER CRIANÇA
É estar em constante agonia,
Pois não se sabe se ele virá de noite ou de dia

O menino espia a rua...
Olha por entre os papelões que o protegem,

Gente passando...
O homem com uma metralhadora na mão
Mais uma criança estendida no chão,
E mais uma mãe
Partido o coração.

SER CRIANÇA

Como é difícil!
Sem família, sem escola,
Apenas mais um vidro de cola...
Triste realidade!
Está perdendo a flor da idade,
Sem saber,
Sem ler,
Sem escrever,

Sem professor,
Sem amor...






SER CRIANÇA...
Nos dias de hoje...
É estar sem ser,
É ser sem saber,
É saber sem compreender
É compreender sem interpretar
É interpretar do jeito que dá
Podendo assim evitar
Mais uma vez ter que chorar...

SER CRIANÇA...
É não saber se vai ou se fica,
É viver voando sobre uma pipa
É viver correndo por entre os carros...
De pés descalços,
Braços nus...
Abaixo do sol a pino
Fervilhando sua pele judiada,
Atrás de um vintém para tentar pagar

O homem.

SER CRIANÇA
Que triste realidade!
Em um país da prosperidade
Dos quem tem e não se importam com ninguém,
Dos que roubam de inocentes,
Sem vergonha...
Sem ética...
Sem amor

Sem  criança.

LUCIMARA DE CASTRO BUENO

sexta-feira, 8 de setembro de 2017


CAPITULO III
POLÍTICA EDUCACIONAL NA AMÉRICA LATINA
IDENTIDADE E GLOBALIZAÇÃO

            O texto de Sander (2005) nos faz refletir sobre os problemas sociais e os desafios políticos na América Latina. Faz uma retomada aos anos 50 e 60, os quais havia uma forte influência do pensamento sociológico da teoria da dependência exercendo influência sobre o pensamento pedagógico das próximas décadas. O campo educacional foi bordado de teóricos críticos que aproveitavam o momento para produções acadêmicas e editoriais a cerca dos problemas sociais e educacionais e os desafios políticos das escolas e dos sistemas de ensino da época.
            Assim hoje, não é diferente, continuamos a nos preocupar com o destino econômico e político, com nossos valores e com nossa identidade cultural, Como nos lembra Sander (2005, p. 70), “uma das preocupações permanentes do pensamento latino-americano, nele incluída a teoria da dependência, sempre foi a busca incessante de identidade, reiteradamente ameaçada pela intervenção política e cultural externa”.
            Desta forma, pode-se perceber que há uma forte influência do fenômeno da globalização sobre as políticas públicas da educação latino-americana. Sander (2005, p. 72), nos leva pensar que “globalização é um fenômeno essencialmente europeu que se confunde com a formação da própria civilização ocidental nos primórdios da era moderna que passa pelo estabelecimento dos Estados nacionais nos séculos 17 e 18, e da pré-industrialização no séc. 19.”.
            Assim, a pretensão era a expansão da democracia à moda ocidental também no cenário político organizado pelos liberais da globalização- os vencedores da Segunda Guerra Mundial. Fica fácil perceber de fazer a globalização um instrumento efetivo de desenvolvimento humano sustentável para todos. A macroeconomia da globalização vem dia após dia tomando conta da sociedade, tornando um grande desafio, ou melhor, humanamente impossível construir um modelo de globalização economicamente equitativo e politicamente sustentável.
            Desta maneira, o que se vê é uma sociedade presa a um sistema socioeconômico capitalista que prioriza a qualquer custo o lucro tornando muitos países “escravos” de sua macroeconomia, Sander (2005, p. 74), nos recorda quando diz “precisamos tomar consciência de que, na raiz do processo de globalização, existe um grande negócio [...]”.
            Para reiterar esta ideia dois protagonistas da comunidade internacional discorrem sobre a pobreza o maior problema social da humanidade, Sander (2005, p. 76), cita Wolfensehn (2005), presidente do Banco Mundial que faz uma ação humanitária manifestando ao mundo a sua frustração diante da limitada contribuição dos países mais ricos para que os pobres tenham um padrão de vida mais digno. Continua ainda chamando a atenção sobre os trilhões de dólares gastos para manter sua política cruel que inibe o crescimento dos países em desenvolvimento.
            Diante disso, um grande questionamento a respeito desta política do Banco mundial sobre o domínio e poder econômico e cultural sobre os mais pobres, (sabemos que são estes países especialmente os Estados Unidos que formulam as agendas educacionais dos países em desenvolvimento, seguindo o seu plano), esta voltada à questão da identidade educacional e da definição da política educacional da América Latina.
            A partir dos anos 70 e 80, a UNESCO e a OEA desempenham um papel relevante em matéria de política e gestão da educação na América Latina, houve a ampliação dos serviços escolares oferecidos e a melhoria da qualidade do ensino e da administração da educação.
            Já na sequencia nos anos 90, houve um momento de ruptura com o passado e adoção da agenda Neoliberal no âmbito das organizações internacionais as quais se mantém até os dias atuais, a UNESCO, a OEA e outros Organismos Internacionais criam a necessidade de promover reformas institucionais dos sistemas de ensino, visando fomentar a modernização, a descentralização administrativa e a competitividade no contexto do mundo globalizado.
            Mais tarde em 2001, a ONU enfrentou o desafio da globalização para dar conta da segurança global. Esse desafio que o Conselho de Segurança da ONU enfrenta reflete em todas as agências do sistema das Nações Unidas, incluindo a UNESCO e, no âmbito regional, a OEA e seus Estados Membros. Isso tudo, afetará as agendas educacionais e os esforços de cooperação no campo das políticas públicas e da gestão da educação, sobre tudo os esforços de nossa identidade cultural e educacional.
            Desta maneira, compreendemos que a identidade cultural e educacional latino-americana além da influência da globalização advindos da Europa e América, possui os seus próprios conceitos e práticas aceitáveis em toda a região. Possuímos uma história e tradição comum, uma economia, uma religião, o “jeitinho” cultural brasileiro que se confunde com “hacer las cosas a la criolla”, (se refere a fazer as coisas a moda da América),  típico dos países hispano-americanos. Enfim, refletindo sobre o texto pode-se afirmar sob o ponto de vista econômico, político e cultural que de certa forma nossa identidade ainda esta preservada.
            Nesta perspectiva, Sander (2005 p. 85), nos lembra sobre Pablo Neruda e Paulo Freire latino-americanos, no momento em que afirmam serem “nossa inserção internacional e nossa contribuição à educação internacional dependem de nossa fidelidade às nossas raízes históricas, às nossas aspirações, às nossas realidades locais”. Continua ainda dizendo: “esse é o nosso caminho, um caminho original e autêntico para contribuir com a promoção da cidadania planetária”.
Ø  Cidadania Planetária: tem a ver com consciência e implica em uma reorientação de visão do individuo. O desafio é fazê-lo entender que participa de uma comunidade local e global ao mesmo tempo.
            Freire (1995), citado por Sander (2005, p. 85), reflete sobre ser cidadão do
mundo, que antes de tornar-se um cidadão do mundo primeiro o sujeito deve conhecer o seu local:  “Fui e sou cidadão de Recife [...], quanto mais enraizado na minha localidade, tanto mais possibilidades tenho de me espraiar, me mundializar [...], ninguém se torna local a partir do universal”.
            E para finalizar nossa reflexão sobre identidade cultural e educacional, Sander (2005, p. 86), aborda o grandioso Neruda, o qual se tornou conhecido pelo mundo todo assim como Freire, inicialmente relatando seu próprio local em  “O canto General de Chile” para daí então passar a expansão de territórios em “Canto General da America”. Neruda, (1998) In: Sander (2005 p.86): “nunca he dejado de leer la patria, nunca he separado los ojos del largo território.”
            Nesta perspectiva, é fato que cada vez mais a globalização avança e bate em nossa porta, adentrando os locais e transformando-os a qualquer custo e assim torna-se um desafio defender e preservar nossa identidade cultural nos esforços de reforma educacional. É preciso investir permanentemente na construção de uma pedagogia latino-americana, de uma pedagogia brasileira, aberta e universal destinada a fortalecer nossa capacidade de participação na decisão do destino coletivo da humanidade, (Sander 2005 p.86).
            Desta maneira, a ideia estabelecida neste texto por Sander (2005, p. 87), e que é o propósito da discussão, “é construir uma educação culturalmente significativa para educadores e educandos e politicamente efetiva para nossas comunidades, na convicção de que tal concepção pedagógica será uma contribuição original para o desenvolvimento da educação internacional e um aporte decisivo para a promoção de nossa qualidade de vida na escola e na sociedade.”
            Portanto, a certeza que temos é de que não existe nenhuma receita pronta que possa vir solucionar os desafios de nossas escolas e universidades. Sabemos que todo processo educacional é muito mais amplo e complexo, nele está inserido o professor, o aluno, o administrador da educação, enfim toda comunidade escolar que pertence a esta cultura, a esta identidade que são conjuntamente responsáveis em desenvolver práticas em seu entorno que valorizem a equidade e a convivência construtiva, o espírito público e a participação democrática.



CAPITULO IV

POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
Momentos de uma história em construção.

            O presente texto trás resumidamente as ideias expressas por Sander (2005), as quais nos levam a refletir sobre políticas públicas e de gestão educacional no contexto internacional, para isso é necessário à compreensão de fatos e atos econômicos, políticos e cultural de nossa educação brasileira para então repensar em uma reconstrução de contribuição pedagógica que possam solucionar problemas enfrentados diariamente nas instituições de ensino (escolas, universidades), tanto em sua organização, na administração, quanto no âmbito político institucional.
            A reflexão segue com um aporte histórico do inicio da educação brasileira que é chamada por muitos de processo civilizador, por outros de processo colonizador e ainda de processo globalizador, conforme Sander (2005). Certamente quando se dá um processo de expansão e de mundialização como o sofrido por nós com a chegada da Europa Continental em terras brasileiras acorre um transplante de conhecimentos, de culturas, tradições, religião, política, distintas daquelas próprias do local envolvendo vários campos, principalmente a educação, esse processo para o Filósofo Jackes Derrida é chamado de Globalatinização.
            Desta forma, o primeiro sistema educacional brasileiro (que não foi exatamente brasileiro, mas Europeu- grifo meu), teve como objetivo a expansão do conhecimento, dos valores e práticas sociais e educacionais da Europa para o Brasil, foi inicialmente delegada aos missionários da Companhia de Jesus, chamada de política de educação pública Confessional. O plano de estudo do primeiro sistema educacional organizado da educação católica ficou conhecido como Ratio Studiarum, (obra pedagógica do século 16, planejada por Ignácio de Loyola), elitizado e aristocrático- escolasticismo católico- que privilegiou a classe dominante oferecendo-a novos currículos com cursos de “humanidades”, “Filosofia e Ciências” e o Ensino Médio e a classe pobre apenas a catequização, ou seja, uma política que se utilizava de seu poder, de sua influência para formar alunos para a obediência, a submissão e o respeito a Deus e à autoridade constituída monarquicamente.
            Podemos perceber que houve um domínio, uma invasão, processo totalmente antidemocrático que inseriu obrigatoriamente aos nativos do Brasil toda uma cultura que não era sua e que passaram aceitar e reproduzir como se fosse sua, conforme nos lembra Sander (2005, p. 94): “na prática, os valores, crenças e  ritos nativos dos donos da casa sentiram-se ameaçados diante da introdução dos valores, crenças e ritos latinos da Europa continental. Ou seja, o nativo deu lugar ao latino”.
            Mais tarde o pensamento pedagógico da Europa, assim como o do Brasil também sofreu influência de outros pensadores e ordens religiosos como: lassalistas, beneditinos, salesianos, maristas, dominicanos, franciscanos entre outros- contribuições cristãs que foram historicamente condicionadas ou facilitadas pelo contexto político e cultural das antigas monarquias europeias, especialmente as de Portugal, Espanha e França.
            A partir do século XVIII, Marques de Pombal ministro encarregado pelo sistema social de Portugal sente sua política e economia abalada pela revolução industrial na Europa e resolveu expulsar os jesuítas da colônia (1759), assim, deu-se inicio a Educação Pública no Brasil.
            Desta forma, a educação pública brasileira passou a conhecer novas práticas educacionais trazidas pelos imigrantes alemães, italianos, suíços e poloneses que se instalaram no Sul do país no século XIX, práticas pedagógicas estas que estão inseridas até os dias de hoje em nossa educação.
            No ano de 1824, foi outorgada a 1ª constituição Imperial Brasileira por D. Pedro I, porém foi com o 2º Império que a educação brasileira obteve desenvolvimento. Benjamin Constant, ainda no séc. XIX liderou uma reforma educacional alicerçada nos princípios doutrinais do positivismo francês, protogonizado por Comte.
            O positivismo na educação possuía como requisitos fundamentais nas escolas, nos sistemas de ensino e da própria administração pública: a ordem, a disciplina, o controle centralizador e uniformização de comportamentos e práticas. Para se ter noção do quão autoritário foi o sistema positivista olhemos para o lema de nossa bandeira “Ordem e Progresso”, que reflete um pouco desta histórica preocupação de se manter o “status quo” (Estado atual), em manter a soberania, o poder, não importando se o outro está realmente aprendendo, se está desenvolvendo-se, se o outro está “vivendo” ou melhor como o outro está “sobrevivendo”. Conforme Sander (2005, p.97):
O autoritarismo centralizador da administração pública se repetiria na administração escolar. Ainda no âmbito da escola, o positivismo se manifestou na concepção de um conteúdo universalista, transmitido por um currículo enciclopédico, na adoção da metodologia empírica e quantitativa e nas práticas prescritivas de organização e funcionamento das instituições de ensino.
            Esse modelo de educação reflete as teorias clássicas do fayolismo francês (busca pela eficiência) e do taylorismo-fordismo- norte americano (processo capitalista).
            Nesta época marcada por permanentes conflitos advindo do Estado novo e da Segunda guerra Mundial, grandes debates a cerca da educação pública brasileira ocorreram entre Anísio Teixeira e Alceu Amoroso Lima os quais defendiam juntos e unidos os ideais de liberdade, equidade e democracia na escola e na sociedade.
            Para o terceiro momento Sander nos faz refletir sobre a década de 20, na qual se instala no Brasil, um movimento nacional de reação às teorias sociais que dominavam o pensamento e a produção intelectual na Europa e nos Estados Unidos. Em meio a isso tudo, em São Paulo acontece a Semana da Arte Moderna de 1922. Mais tarde em 1928, surge a “Escola Nova”, em seguida em 1931, nasce a Lei Francisco campos- o qual consagra a liberdade de ensino e legitima formalmente a iniciativa privada no campo da educação. Já em 1932, cria-se ideais de democracia e gratuidade do ensino, a partir do Manifesto dos pioneiros da educação.
            Com o manifesto dos pioneiros da educação no governo de Getúlio Vargas, cria-se o estado novo, que apoia as leis que regiam toda a escolarização (básica e superior), adaptando a educação ao processo industrial. A partir disso, ocorreu muitos conflitos ideológicos entre os defensores da escola nova (liberais), ou escola Pública e da escola tradicional (católicos), também considerada Escola Privada.
            O quarto momento trazido por Sander é marcado pela economia da educação, é um momento em que as políticas públicas sofreu forte influência do governo militar em que o planejamento governamental estipulava um planejamento educacional financiado pelas agências de assistência técnica e financeira dos países desenvolvidos.
            Foi na década de 60, durante o regime militar que se implementou no Brasil, o acordo MEC/usaid, no campo do ensino médio e superior, instituindo no ensino médio a profissionalização obrigatória voltada para a pedagogia tecnicista- o que ilegitimou a democratização do ensino. Neste período houve a inclusão das disciplinas de educação moral e cívica, organização social e política brasileira e estudos de problemas brasileiros de caráter obrigatório e de conteúdos ideológicos.
            Nesta fase desenvolvimentista o anseio por uma educação de qualidade e que acima de tudo determinante ao crescimento econômico foi grande. Percebeu-se que através da educação era possível o progresso e ascensão social. Porém, devido ao endividamento do estado investimentos que haviam sido feito não surtiram o efeito esperado pelos economistas da educação, em termos de crescimento econômico e progresso tecnológico e muito menos, em termos de desenvolvimento humano sustentável com equidade e justiça social.
            Nesta perspectiva vale lembrar que o investimento em educação requer muitos anos de investimentos, o resultado não surte de um momento para outro, ou seja, como nos lembra Sander (2005, p. 101), “a dimensão econômica precisa vir guiada por outros fatores de natureza política e sociológica, começando pela própria vontade política dos governos e pela continuidade do espaço educacional através dos anos”.
            Este momento foi marcado pela organização e resistência da sociedade civil,
Sendo que o marco histórico de democratização no Brasil deu-se após 21 anos de regime militar, na eleição para presidência da República, na qual a população participou massivamente das manifestações de cunho essencialmente democrático, assim nasceu a CF/88.
            Para que houvesse uma sociedade democrática foi necessária uma preparação, para organização e resistência em requerer aquilo que é de direito. Para isso, nossa sociedade contou com intelectuais que já viam a muito buscando este reconhecimento.
            Na área da educação floresceu um novo pensamento latino-americano nas ciências humanas e sociais; a teoria da dependência, teologia da libertação e a ética da libertação, pedagogia do oprimido, educação como prática de liberdade.
            Na educação nosso protagonista mais influente e que hoje continua a ser lido por estudiosos do mundo inteiro, que produziu na década de 60 obras pedagógicas que muito contribui para refletir sobre educação foi Paulo freire. Percebe-se que  durante a construção da democracia a educação brasileira obteve uma crescente produção cientifica, associada ao rápido desenvolvimento da pós-graduação nas faculdades de educação de nossas universidades. A sociedade civil também se mobilizou em torno:
·         Da LDB;
·         Da defesa  da escola pública;
·         Da luta pela valorização do magistério;
·         Da profissionalização dos educadores;
·         De condições qualitativas de trabalhos;
·         Do direito igual (homem + mulher);
·         Da remuneração decente.

            Sobre globalização e governabilidade Sander (2005, p. 105), argumenta que há uma forte influência dos países que dominam o mundo em questão da revolução microeletrônica – China, Índia, Japão e Ásia, assim, a sustentação do poder está na informação e no conhecimento, esclarecendo que houve mudanças de protagonistas, de tempos e espaços o que antes foi chamado de globalatinização hoje, para Sander passou a ser globamericanização- ou seja, a ideia de aldeia global.
            No entanto, hoje a ideia de que precisamos realizar algo para salvar-nos está cada dia mais ecoante. Todos os países do mundo estão voltados ao objetivo do resgate da própria condição humana, por meio da promoção da qualidade de vida e da segurança coletiva.
            Desta maneira, com a crescente globalização cada vez mais os governos precisam multiplicar seus esforços para cumprir com a exigência ou com a necessidade, ou seja, para encontrar soluções organizacionais e administrativas que sejam eficiente e produtiva.
            Sander (2005, p. 113), expõe sua ideia ao afirmar que é a favor da construção de uma outra globalização, ao contrário, de muitos outros debates que percebem este processo como ruim, para ele deveria ser construído uma globalização socialmente mais justa e politicamente sustentável. Uma globalização que deve começar pelo direito de todos ao trabalho, à educação e ao desenvolvimento humano sustentável.
            Assim, a ideia de globalizar fica entendida por: expansão dos direitos humanos, da justiça social, da qualidade de vida, da democracia e do pleno exercício da cidadania a todas as pessoas da sociedade. No âmbito escolar essa expansão é reconhecida pela capacidade dos educadores para facilitar a aquisição dos valores próprios de uma nova globalização (socialmente mais justa e politicamente sustentável), a partir do desenvolvimento de práticas pedagógicas e formas de organização e administração que sejam significativas para os alunos e aceita por toda a comunidade escolar em seu entorno social, sendo assim, Sander (2005, p. 113), destaca que deve-se valorizar o espírito público, a solidariedade, a justiça social, a convivência e a participação democrática em nossas escolas, Sander vai além, diz que o educador deve agir com capacidade criativa e compromisso. Certamente para isso, as políticas públicas devem proporcionar aos educadores tempo, espaço e recursos (financeiros e tecnológicos) para sua formação seja inicial ou continuada. Sem estas condições adequadas fica cada dia mais distante de nossa realidade uma melhoria na qualidade da educação.

REFERÊNCIA:

SANDER, Benno. Políticas Públicas e Gestão Democrática da educação. Brasília: Liber Livro Editora. 2005.


domingo, 27 de agosto de 2017

SOBRE PESQUISA...

Pesquisa documental e Pesquisa etnográfica


Os textos a seguir nos levam a compreender que a pesquisa documental é muito pouco utilizada na área da educação, mas decisiva para a pesquisa em ciências sociais e humanas. Refletir sobre a análise documental é compreender que se busca identificar informações em documentos, ou seja, é pesquisar bibliograficamente ou utilizando-se também de filmes, vídeos, slides, fotografias ou pôsteres aquilo que se pretende. Como nos lembra Silva, Almeida, Guindani (2009, p. 3) (apud Helder, 2006), “a técnica documental vale-se de documentos originais que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor”.
            Sobre pesquisa documental, segundo Silva, Almeida, Guindani (2009, p. 6) (apud Oliveira, 2007), “caracteriza-se pela busca de informações em documentos que não receberam nenhum tratamento cientifico, como relatórios, reportagens de jornais, revistas, cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras matérias de divulgação”.
            Silva, Almeida e Guindani (2009, p. 6), seguem discorrendo que a pesquisa documental e a pesquisa bibliográfica estão muito próxima uma da outra, o que as difere é que esta remete para as contribuições de diferentes autores e aquela recorre a matérias que ainda não receberam tratamento analítico, no entanto o pesquisador necessita um olhara mais atento aos documentos analisados justamente pelo fato de não passarem antes por nenhum tratamento cientifico.
            Desta maneira Silva, Almeida e Guindani (2009, p.8) (apud Cellard, 2008), nos lembra que a analise documental se constitui de observar o contexto, o autor(os autores), a autenticidade e a confiabilidade do texto, a natureza do texto, os conceito -chave e a lógica interna do texto, as quais os pesquisador deve ter um olhar critico e cauteloso ao avaliar.
            Assim, seguindo a reflexão sobre pesquisas, pode-se dizer que pesquisar é apreciar a sabedoria, é unir a teoria e a prática e a partir da analise destas concluir sobre uma determinada realidade ajudando-a em sua transformação ou servindo mais como reflexão, o que de certa forma, também é transformar. Como Salienta Tezani (2004, p. 2) (apud Nosella, 2000), “ “viciado” no ensino-aprendizagem investigativo e autônomo , nos processos metodológicos criativos, o estudioso tudo quer experimentar, tudo indaga, sobre tudo questiona. O espírito investigativo se volta para o ainda não conhecido, isto é, para o futuro da ciência e não para o seu passado”.
            Segundo as recomendações de Tezani (2004, p.2) (apud Saviani, 1991),
“um bom e completo trabalho de investigação e de pesquisa inicia pela escolha do tema, a formulação do problema, a delimitação do objeto assim como o estabelecimento da metodologia e respectivos procedimentos de análise, redigindo, em consequência, o texto correspondente com uma estrutura lógica adequada à compreensão plena por parte dos leitores, do assunto tratado”.
            Para Severino (2000), citado por Tezani (2004, p.3), “a escolha do tema de pesquisa, bem como a sua realização, necessariamente é um ato político”
            Então pode-se referir que o objeto a ser pesquisado deve  ser relacionado com a revisão critica das teorias para que esse novo conhecimento a ser criado possa vir a contribuir para melhorar os problemas sociais existentes em um determinado local.
            A partir disto, podemos compreender por pesquisa etnográfica, aquela que aborda a vida cotidiana, que está voltada ao processo educativo, Como lembra Tezani (2004, p.10) (apud André 1995), “a pesquisa etnográfica exige do pesquisador um prolongado tempo de permanência no campo de pesquisa”.
            A pesquisa etnográfica adota uma metodologia em que o pesquisador também é observado, ele está inserido, faz parte do grupo, interagindo e compartilhando do seu cotidiano. Para isso o pesquisador deve assumir uma relação de confiança entre os sujeitos envolvidos, deve estar disposto a interagir com o grupo. Conforme Tezani (2004, p.10) (apud Caldeira 1995), o estudo etnográfico requer que “o investigador vá ao campo onde vivem os sujeitos da ação que se deseja revelar permanecendo por ali por um tempo prolongado que lhe permita penetrar na vida cotidiana e tornar visíveis os distintos significados e ações que ocorre em seu interior”. Ou ainda, “o pesquisador é considerado o principal instrumento de coleta de dados, pois ele faz parte da cena”.
            Por isso, podemos afirmar que toda pesquisa assume um papel relevante a fim de contribuir para ampliação do conhecimento em qualquer área. Sendo assim, tanto a pesquisa documental quanto a etnográfica ambas possui o mesmo valor na área da pesquisa, principalmente em educação. Tanto uma quanto a outra enfatiza a educação enquanto processo social, cultural e histórico.

REFERÊNCIAS:
SILVA, Jackson R.S; ALMEIDA, Cristovão D; GUINDANI, Joel Felipe. Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais. V. 1, p. 1-15, julho 2009. ISSN: 2175-3423.
TEZANI, Thais Cristina Rodrigues. As interfaces da pesquisa etnográfica na educação. Faculdade Fênix de Bauru, SP, p. 1-17 , fev/ab 2004.

por : Lucimara de Castro Bueno.