segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Ninguém o enxergou, apenas o sentiu!

 

Ninguém o enxergou, apenas o sentiu!

 

Naquele ano 2020, as coisas pareciam não quererem se ajeitar, o ano recém tinha nascido e parecia que já havia se passado vários meses. As pessoas andavam cansadas e tristes. Os dias eram cinzas e quentes.

Normalmente, a vida da maioria dos habitantes da pequena cidade de Corvih situada ao norte do Estado do Rio Grande do Sul era sempre muito pacata. Todos os dia as pessoas realizavam as mesmas coisas: senhoras donas de casa abriam as janelas de suas casas, penduravam roupas no varal, colocavam as roupas de cama para pegar sol sobre a soleira da janela, esguichavam água nas calçadas de mangueira, tiravam a sesta da tarde depois do almoço, faziam visitas às vizinhas e tomavam um bom mate, reuniam-se na praça central para comer pipoca, respirar uma ar fresco e ver a piazada correr por entre os pés de jabuticabeiras. Muitas pessoas ao se encontrarem na rua paravam para se cumprimentar de tão familiares e próximas que eram.

A vida era tranquila. Os dias passavam devagar. Vários casais caminhavam à tardinha com seu animal de estimação. Tudo era muito calmo. Mas como já disse, o ano recém tinha nascido e já estava cansativo. De repente tudo ficou diferente. Não mais se via pessoa nas ruas, elas pareciam andar com medo umas das outras, ninguém mais se cumprimentava como antes, nem abraço, nem beijinho, nem um aperto de mão. Também não se recebia ninguém em casa. Visita nem pensar!

A época do Corona vírus 19, demorou a passar e a cidade ficou ainda mais parada, principalmente nos primeiros tempos da pandemia. Ninguém tinha a mínima ideia do que poderia acontecer. Até que tinha quem arriscasse a dar palpites, mas a maioria eram infundados.

Foram longos e temerosos os dias, tinha-se a impressão de que tudo que era tocado com as mãos o Covid 19 tinha atacado, afinal, ninguém o enxergava apenas podiam o sentir.

Como o ser humano acostuma logo com as mudanças, com o passar de um ano as pessoas já estavam descrentes do tal invisível e acabaram descumprindo as orientações dos profissionais da saúde e começaram a circular por todos os lugares e mesmo que utilizassem máscaras, pois o equipamento era obrigatório naqueles tempos, acabaram se contaminando, e, sem querer contaminaram amigos e familiares e assim, mais da metade da população da pequena cidade de Corvih acabou morrendo. Restando apenas algumas raríssimas pessoas, entre elas que muito se estimou na cidade o padre, o coveiro, o dono da padaria e uma professora que gostava muito de escrever histórias.

 

Conto escrito pela Professora Lucimara De Castro Bueno, em 23 de abril de 2020. Ano em que o mundo todo foi acometido pelo vírus Covid 19.

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