Ninguém o enxergou,
apenas o sentiu!
Naquele ano 2020, as coisas
pareciam não quererem se ajeitar, o ano recém tinha nascido e parecia que já
havia se passado vários meses. As pessoas andavam cansadas e tristes. Os dias
eram cinzas e quentes.
Normalmente, a vida da
maioria dos habitantes da pequena cidade de Corvih situada ao norte do Estado
do Rio Grande do Sul era sempre muito pacata. Todos os dia as pessoas
realizavam as mesmas coisas: senhoras donas de casa abriam as janelas de suas
casas, penduravam roupas no varal, colocavam as roupas de cama para pegar sol
sobre a soleira da janela, esguichavam água nas calçadas de mangueira, tiravam
a sesta da tarde depois do almoço, faziam visitas às vizinhas e tomavam um bom
mate, reuniam-se na praça central para comer pipoca, respirar uma ar fresco e
ver a piazada correr por entre os pés de jabuticabeiras. Muitas pessoas ao se
encontrarem na rua paravam para se cumprimentar de tão familiares e próximas
que eram.
A vida era tranquila. Os
dias passavam devagar. Vários casais caminhavam à tardinha com seu animal de
estimação. Tudo era muito calmo. Mas como já disse, o ano recém tinha nascido e
já estava cansativo. De repente tudo ficou diferente. Não mais se via pessoa
nas ruas, elas pareciam andar com medo umas das outras, ninguém mais se
cumprimentava como antes, nem abraço, nem beijinho, nem um aperto de mão.
Também não se recebia ninguém em casa. Visita nem pensar!
A época do Corona vírus 19,
demorou a passar e a cidade ficou ainda mais parada, principalmente nos
primeiros tempos da pandemia. Ninguém tinha a mínima ideia do que poderia
acontecer. Até que tinha quem arriscasse a dar palpites, mas a maioria eram
infundados.
Foram longos e temerosos os
dias, tinha-se a impressão de que tudo que era tocado com as mãos o Covid 19
tinha atacado, afinal, ninguém o enxergava apenas podiam o sentir.
Como o ser humano acostuma
logo com as mudanças, com o passar de um ano as pessoas já estavam descrentes
do tal invisível e acabaram descumprindo as orientações dos profissionais da
saúde e começaram a circular por todos os lugares e mesmo que utilizassem
máscaras, pois o equipamento era obrigatório naqueles tempos, acabaram se
contaminando, e, sem querer contaminaram amigos e familiares e assim, mais da
metade da população da pequena cidade de Corvih acabou morrendo. Restando
apenas algumas raríssimas pessoas, entre elas que muito se estimou na cidade o
padre, o coveiro, o dono da padaria e uma professora que gostava muito de
escrever histórias.
Conto escrito pela Professora
Lucimara De Castro Bueno, em 23 de abril de 2020. Ano em que o mundo todo foi
acometido pelo vírus Covid 19.