segunda-feira, 7 de novembro de 2016

PLANEJAMENTO

v  PLANEJAMENTO
v  PROFESSORA LUCIMARA DE CASTRO BUENO
Ø  FILME: Forrest Gump- O contador de história
            O filme começa com uma pena caindo aos pés de Forrest Gump, sentado numa parada de ônibus em Savannah, na Georgia. Forrest pega a pena e coloca-a dentro de um livro, e então começa a contar a história de sua vida a uma mulher sentada próxima a ele. Os ouvintes na parada de ônibus variam.
            Forrest mostra ter muito de sua vida ensinado por sua mãe. Forrest frequentemente repete suas frases favoritas, incluindo "A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar" e "Idiota é quem faz idiotice". Outras pessoas que têm papéis importantes na vida de Forrest são Jenny Curran, uma amiga de infância que é sexualmente abusada por seu pai; Benjamin Buford "Bubba" Blue, um jovem negro pescador de camarões que serve junto com Forrest na Guerra do Vietnã e sabe "tudo que se pode saber sobre camarões"; e o Tenente Dan Taylor, que é o comandante da unidade onde Forrest e Bubba servem; Alguns anos após o encerramento da guerra, Forrest propõe o casamento a Jenny. Ela recusa. Mais tarde aquela noite eles fariam sexo. Na manhã seguinte ela iria embora. Para compensar o vazio em seu coração, Forrest corre através dos Estados Unidos por três anos e meio. Ele é chamado de "um jardineiro de Greenbow, Alabama", em noticiários sobre suas corridas.
            Forrest está esperando o ônibus porque em 30 de março de 1981, ele recebeu uma carta de Jenny que, após vê-lo na televisão, convida-o para visitá-la. Forrest mostra a carta de Jenny a uma das ouvintes, uma paciente senhora idosa que mesmo após perder seu ônibus continuava a ouvi-lo; ela conta a ele que para chegar ao endereço da carta não é necessário pegar o ônibus, uma curta caminhada basta. Ele agradece a senhora e imediatamente começa a correr. Uma vez que ele encontra Jenny e seu jovem filho, Jenny conta a ele que o garoto é chamado Forrest, assim como o pai dele. Primeiramente ele pensa que ele é filho de um outro homem chamado Forrest, mas depois ela confirma que o filho é realmente dele. Ela também conta a Forrest que está infectada com um vírus (que pode ser o vírus da AIDS). Juntos, os três se mudam para Greenbow, onde Jenny e Forrest finalmente se casam, mas o casamento dura pouco por causa da morte de Jenny "numa manhã de sábado" segundo Forrest. Sua lápide dá a data de 22 de março de 1982 (na verdade o dia 22 de março de 1982 foi uma segunda-feira, não um sábado).
            O filme termina com Forrest levando seu filho a um ônibus escolar; com a aproximação do ônibus, o pai pega o livro que sua mãe lia para ele, e deixa cair uma pena, que havia aparecido no início do filme; então, sem perceber isso, Forrest devolve o livro à mochila do filho e pondera sobre dizer algo ao seu filho, mas decide de última hora não dizer (provavelmente diria algo sobre não dar importância se alguém zombasse dele na escola, mas deve ter lembrado que devido ao fato dele mesmo ter sido zombado na época de escola, acabou conhecendo Jenny). Então pai e filho dizem que se amam. A pena no livro de Forrest é levada pelo vento, e flutua ao céu, como no início do filme.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Forrest_Gump

Ø  DISCIPLINA:  Ensino Religioso, História e Língua Portuguesa.
Ø  TURMAS: 9º ano e Ensino médio
DADOS DA AULA:
Ø  O que o aluno poderá aprender com esta aula?
A partir da aula aqui proposta espera-se que os alunos sejam capazes de:
·         Refletir sobre a importância do estímulo da família e da escola;
·         Refletir sobre as diferenças existentes entre as pessoas, a fim de conscientizar-se de que o respeito é necessário;
·         Perceber que o filme Forrest Gump, trás uma visão de mundo e que insere figuras históricas;
·         Perceber que o filme influencia a cultura popular e relata alguns eventos históricos mais notórios da segunda metade do séc. XX;
·         Refletir sobre os problemas sociais abordados na história e o quanto influencia as pessoas:
§  O preconceito de alguma deficiência física ou mental;
§  O racismo;
§  Abuso sexual;
§  Querra e paz;
§  HIV
§  Violência contra a mulher;
§  Drogas
Ø  DURAÇÃO DAS ATIVIDADES: 6 aulas aproximadamente
Ø  RECURSOS: data show, TV, Vídeo, caixa de bombom.
Ø  ESTRATÉGIAS:
1º AULA:
·         Levar uma caixa de bombons e pedir para cada um pegar um doce, logo em seguida realizar uma conversa, pedir para que cada um descreva o seu bombom:
·         De que sabor é?
·         Que cor ele tem?
·         Se é o que mais gosta ou não?
·         Se gostaria de ter pego outro sabor? (se a resposta for afirmativa deixar que realizem a troca de bombons)
·         Em seguida solicitar que os alunos descrevam sobre a atividade relacionando com a vida de cada um.

2º, 3º, 4º AULA:
·         Passar o filme Forrest Gump- O contador de histórias- (o filme tem duração aproximadamente de 142 min.).

                        5º, 6º AULA:
·         Após assistir ao filme:
·         Realizar um comentário, deixando os alunos falarem sobre a história levando-os a refletir sobre a vida, sobre os acontecimentos, os problemas sociais presentes na história;
·         Para finalizar solicitar aos alunos que respondam aos questionamentos por escrito:
·         Descreva alguma lembrança de sua infância.
·         Comente com suas palavras a frase: “a vida é uma caixa de bombons”- (você nunca sabe o que vai encontrar).
·         Apontar um sinal máximo de superação (clímax) que acontece na história.
·         O que é ser “melhor amigo”? Você faria o Gump fez para socorrer um amigo?
·         Descreva três problemas sociais apresentado na história que esta sendo muito debatido na atualidade.
·         Escolha um dos temas e produza uma dissertação-argumentativa.



ENTRE A CAUTELA E O ÍMPETO: ESCOLA EM DESCOMPASSO



         Refletir sobre nossa prática na educação é o objetivo deste artigo, assim é necessário dizer que a educação precisa urgentemente de um novo olhar, de ser tratada com carinho e comprometimento tanto de quem faz educação quanto de quem gesta a educação- (no meio político).
            Para que a educação dê certo é preciso que todos os envolvidos se comprometam em fazer dar certo. É preciso que todos se comprometam em fazer dar certo. É preciso repensar a maneira de fazer educação e certamente tomar atitudes para transformar velhos paradigmas que ainda estão inseridos na memória de alguns professores que ainda não acostumaram com o “novo” e acabam repetindo o modelo passado com aprendizes modernos. Desta maneira se frustra e não percebe que deve mudar, não percebe que está diante de uma geração pós- moderna que exige muito mais do que aquele professor, aquela professora está propondo.
            Trazendo um refrão da música de Lulu Santos, que vêm ao encontro desta reflexão sobre a educação: “ ... Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a há um segundo. Tudo muda o tempo todo...”. Na educação, assim como em todas as profissões, mas especialmente e principalmente na área da educação é necessário perceber que o tempo muda em uma velocidade incrível e que as pessoas que trabalham com educação devem se mexer, devem alterar a maneira de fazer educação. Certamente que esse novo processo deverá ser muito bem planejado, muito bem organizado, buscando sempre os objetivos a serem alcançados. Não se pode mudar somente porque o tempo mudou. Deve haver cautela entre os envolvidos para não perecer no meio do caminho. Podemos avaliar  isso no pensamento de Cortella:

Muitas pessoas, tendo em vista a obrigação de ter de se arrumar, ter de se mexer, ter de alterar o modo como fazem e pensam as coisas, supõe que a partida talvez ainda possa ser adiada, que a hora de mudar possa ser deixada para outro momento. Esta cautela imobilizadora é extremamente negativa, porque a pessoa continua do jeito que estava quando tudo à sua volta exige uma alteração. Não se trata de mudar tudo, mas mudar o que precisa ser mudado. E mudar o que precisa ser mudado exige uma atitude, que é ter cautela, isto é, de não fazer as coisas de maneira atabalhoada, destituída de critérios. (Cortella, p. 14).


            No entanto, Cortella quer nos dizer com “cautela imobilizadora” que como educadores comprometidos com o processo ensino aprendizagem que não permitamos ficarmos imobilizados muito menos imobilizar quem está ao nosso redor.
            Ao contrário disso, como ele próprio cita em seu texto, Paulo Freire considera que ter cautela requer paciência, que se define em: histórica, pedagógica e afetiva, nenhuma delas se rende a cautela imobilizadora.
            Assim sendo, a paciência histórica, seguindo o pensamento freireano, é a capacidade de perceber que as coisas têm um momento. Para Freire: “Se você não fizer o que hoje pode ser feito, e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente fará amanhã o que deixou de fazer, porque as condições se alteram”. (IN: Cortella p. 15).
            A paciência pedagógica é a capacidade de perceber que cada indivíduo possui processos diferentes de aprendizagem e de ensino, já a paciência afetiva, corresponde ao jeito como as pessoas se tratam ou são tratadas, é um processo que faz parte do ato pedagógico, é necessária e assume o papel de olhar a outra pessoa com carinho e respeito.
            Portanto, como é fácil perceber as três formas de paciência descrita se distância da cautela imobilizadora, pois cautela é aquela que permite a reflexão, de pensar naquilo que será feito, de analisar, trocar ideias, perceber o que pensa o outro a respeito de tal coisa ou assunto. Porém, o que se deve ter “cautela” certamente, é em situações difíceis e graves, neste momento o importante é não imobilizar, ficar estagnado e não pensar no que fazer ou não “querer” pensar e agir por preguiça ou acomodação com medo das mudanças. Como lembra Cortella: “espere, eu vou aguardar um pouco, quem sabe muda a direção, muda o governo, muda o tipo de aluno e eu posso continuar do jeito que já fazia”.
            Este pensamento é o que muito se têm visto na área da educação, os anos vão passando, os alunos vão e vêm e muitos professores continuam comas mesmas práticas educativas, com a mesma didática, pensando estar correto, é possível avaliar que se isso fosse verdadeiro a educação não estaria enfrentando tantos problemas graves como estamos, neste caso é necessário que a cautela seja reflexiva (como estamos fazendo neste momento),e não paralisante.
            Cortella nos proporciona refletir sobre nossas práticas educativas, sobre a cautela imobilizadora, paciência e ímpeto a partir de exemplos que acontecem no dia a dia das pessoas. Vejamos alguns:
ü  Age com cautela imobilizadora, aquele professor de anos de carreira que ameaça o mais novo. Alguém que acabou de se formar e conseguiu um concurso, chega na escola cheio de ideias, de planejamentos e projetos e de carreira, fala: “calma, isso ai é só fogo de palha, com o tempo você acostuma, isso não adianta” (ou coisas parecidas).
ü  A educação também exige coragem: um alpinista que vai fazer uma escalada deverá realizá-lo com segurança, obviamente. Por isso, crava um apoio e, só quando está firme, parte para o segundo ponto e sobe mais um pouco.
ü  Outro exemplo em que Cortella nos faz pensar em nossa prática é a situação do soldado do corpo de bombeiros, numa situação de risco, de sinistro, ele faz o contrário do que qualquer um de nós faria. Numa situação assim, saímos correndo do local, já o bombeiro chega ao incêndio e precisa tomar uma atitude, precisa salvar as pessoas que estão lá. Certamente o profissional precisa ter cautela para entrar no local sem ser atingido pelos riscos que o cercam ao mesmo tempo deve ter ímpeto para fazer o que precisa ser feito. Já imaginou se este bombeiro age com cautela imobilizadora? Certamente jamais exerceria sua profissão, sua missão com sucesso.
Conforme Cortella:
O que é necessário para alguém que lida com vidas humanas? Ter cautela para não perecer e ímpeto para não paralisar. O mesmo é demandado de um educador ou de uma educadora. Em situações de mudanças, é preciso equilibrar a cautela e o ímpeto. O risco de um ímpeto inconsequente quando ações não são planejadas, organizadas coletivamente- é de se obter um efeito não desejado, ou, pior ainda, de desmoralizar aquela ação e fazer com que as pessoas fiquem refratárias a qualquer outro tipo de mudança”. (Cortella pag. 17)

            Cortella completa dizendo: “Hoje pelas mudanças cada vez mais velozes no nosso dia a dia, nas quais a nossa memória se torna fugaz e a nossa história se torna rápida, é preciso buscar outro jeito de construir a educação.”
            O processo de se autoavaliar é muito importante na profissão de educador, o que geralmente não é comum acontecer. A velocidade de comunicação, das relações, de mudanças de cenário, de conhecimento, de aprendizado está ocorrendo cada dia mais acelerado, não é possível a escola permanecer resistente a elas.
            Cortella reafirma em mais um de seu exemplo, a ideia de que os tempos são outros, os alunos não são mais aqueles do nosso tempo em que não perguntávamos por que tínhamos vergonha. Que é necessário e urgente quebrar os paradigmas que não dão certos existentes até os dias de hoje. Vejamos:
ü  Um menino que entrou no primeiro ano do ensino fundamental, com idade de 6 anos, para ser formalmente alfabetizado. Antes de entrar na escola este menino já assistiu a vários programas de televisão, já acessou a internet centenas de vezes, já jogou Playstation mil horas e na sala de aula a Professora começa a alfabetizar dizendo: “a pata nada”. É evidente que este método de ensino não irá despertar o interesse desta criança em vir para a escola para aprender.
Desta maneira, Cortella salienta:
“Consequência? Recusa de muitas e muitos de mudar os caminhos pedagógicos, e essa atitude não se restringe aos primeiros passos escolares. Em vez de raízes que no passado nos alimentam âncoras que lá nos acorrentam”. (Cortella, pag.19).
ü  A questão da dúvida, muitos docentes acolhem como sendo perturbadora e muitos traumatizam os alunos com esta questão. Ao explicar aos seus alunos uma teoria de física por exemplo, a professora dizia: “Atenção, classe! Os corpos se atraem na razão direta das suas massas e na razão inversa do quadrado da distância entre elas. Alguma dúvida?
ü  Quando éramos alunos, nós ficávamos quietos, perguntar ou ter dúvida era feio.
ü  Se um aluno falasse para a professora que não havia entendido ele era zuado pelos colegas e a explicação era realizada da mesma maneira de antes, porém com repetição das palavras, dando entonação maior aos vocábulos (uma forma que intimidava ainda mais as crianças):
- vou explicar: Os- corpos- se- atraem...
Por que ela fazia isso? Porque foi dessa forma que lhe ensinaram, e assim foi feito durante 20, 30 anos. Se propuser a ela que mude o paradigma, ela provavelmente dirá: “Não, pode deixar, sei o que faço”. Ou ficará em pânico e não encontrará outra forma de explicar melhor.

Entre a cautela e o Ímpeto: escola em descompasso. IN: CORTELLA, Mario Sergio. Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes. São Paulo: Cortez, 2014.



LUCIMARA DE CASTRO BUENO