Nos últimos tempos a prática
no contexto educativo exigiu-nos buscar um redirecionamento de nossa profissão.
2020 exigiu-nos reinventar-nos e mudar nossa direção. Muitas vezes essa mudança
já havia ocorrido, porém devido a carência das tecnologias, a falta de internet
para todos foi empurrando essa necessidade para mais além. Só que de uma vez
chegou e não tivemos mais como adiar. De uma vez a pandemia exigiu que os
professores buscassem se aperfeiçoar mais as mídias, que os gestores públicos
realizassem investimentos em tecnologias nas escolas dando condições de
trabalho aos professores, ainda que seja bem precária.
Com a pandemia o ensino
remoto e o ensino híbrido foram a bola da vez. Trabalhar através das
tecnologias, a distância, foi e está sendo muito desafiador.
O ensino remoto tornou-se
para muitos alunos e profissionais da educação algo muito difícil de se
realizar, pois a realidade de acesso a internet ainda é deficiente em muitos
lares e em muitas escolas.
O mais importante de tudo é
que apesar da falta de acesso as tecnologias, os professores não deixaram de se
organizar, de planejar as aulas para que aos seus alunos fosse garantido o
acesso à educação nestes tempos difíceis. Os professores se reinventaram e nos
lugares aonde não chegava internet para as crianças e adolescentes estudarem,
chegava os kits de material impresso organizado com muito carinho e atenção
pelos professores.
Sendo assim, compreendemos
que o ensino híbrido chegou para fundamentar as tecnologias no meio
educacional, pena que tenha sido em um momento de pandemia, poderia já ter
ocorrido muito antes se na educação fosse realidade um investimento pensando na
qualidade.
Um aspecto muito importante
que precisamos destacar nesta volta a mais um ano letivo que está sendo mais
desafiador que o ano que passou é que devemos refletir sobre o processo de
ensino e aprendizagem a fim de perceber as habilidades e competências que foram
trabalhadas em 2020 para que possamos aprimorá-las ainda mais com nossos
alunos. Em meio a isso, necessitamos nos questionar sobre:
·
Como nossos alunos desenvolveram habilidades
e competências importantes para o seu desenvolvimento nas aprendizagens?
·
Como fazer e o que fazer para acolher nossos
estudantes para o retorno das aulas presenciais?
Outro
aspecto relevante que precisamos compreender é que a Resolução CNE/CP n2, de 10
de dezembro de 2020, trata da necessidade de unir dois anos em um único ano, ou
seja, o aluno precisa desenvolver habilidades que ficaram sem serem trabalhadas
no ano 2020. Por isso, o Currículo Contínuo irá dar continuidade, irá rever,
retomar conteúdos que não foram trabalhados de maneira com que os estudantes
tenham desenvolvidos de fato, tais habilidades propostas pela BNCC.
Torna-se
evidente então, que as habilidades não são estanques, podem e devem ser
retomadas em forma de revisão, a fim de aprimorar as aprendizagens. Sendo
assim, cabe a todos os professores de todas as disciplinas aprimorar
habilidades necessárias e que não cabe somente a uma ou outra disciplina que é
o caso de tornar-se ou tornar um bom leitor. Neste caso, a leitura no âmbito
escolar deve ser alimento para todas as disciplinas escolares a fim de cumprir
com as habilidades de exigência da BNCC.
Para
isso, necessita-se de professores leitores. Professores que de fato tenham a
leitura como guia para seu aprendizado, porque se for diferente, jamais algum
aluno irá realizar com entusiasmo. A literatura não deve ser usada como
pretexto para explorar conteúdo ou somente com esse objetivo.
A
escola precisa e deve dar atenção a formação de leitores. Ler deveria se tornar
um prazer aos estudantes, uma satisfação. Para isso, precisaríamos ter
bibliotecas estimulantes, livros que despertasse o interesse, que instigue as
crianças à leitura.
A
formação de leitores é um processo contínuo, não se faz bons leitores de um dia
para o outro. Eis que instigar os estudantes à leitura é uma tarefa complexa
nos tempos atuais, ainda mais quando nos deparamos com biblioteca defasadas
como as nossas.
A
leitura é essencial na vida de qualquer pessoa, é a partir dela que aprendemos
a nos comunicar, ainda mais nestes tempos que possuímos excesso de informação,
que temos informação sobre tudo, mas muitas vezes não sabemos falar sobre determinado
assunto com profundidade.
Através
da leitura aprendemos a nos comunicar e nos comunicando aprendemos a escutar o
que os outros tem a nos dizer. Muitas vezes apenas ouvimos o que nos falam, mas
não escutamos. Há uma diferença entre o ouvir e o escutar que somente
aprenderemos a partir do momento que aprimorarmos as habilidades leitoras.
Para
finalizar, refletimos que para o processo de ensino e aprendizagem nestes
tempos de pandemia e pós pandemia faz-se necessário um levantamento dos
conhecimentos prévios dos alunos, a fim de saber o que devemos priorizar, o que
devemos dar continuidade, ou retomar os conhecimentos, os conteúdos que são
necessários para o sucesso escolar dos nossos estudantes.
Escrito por Lucimara De Castro Bueno