sábado, 14 de outubro de 2017

Escrevo este singelo texto em homenagem aos grandes heróis e heroinas deste país. Sem os professores a sociedade se transforma num caos. Porém, o grande intuito da parte de alguns  gestores políticos deste país ainda é transformar a vida destes trabalhadores em um caos para igualmente a sociedade como um todo também se transformar. Professor! a profissão que transforma o mundo. Parabéns!! a todos os Professores e Professoras deste país. Especialmente aos meus colegas e amigos.

É A VIDA DE PROFESSOR
            O professor acorda cedo. Todos os dias soa o despertador às 6 horas da manhã. Sabe que mais um dia puxado terá. O professor se espreguiça, meio sem jeito para não acordar a companheira ao lado. Sai da cama. Tira o pijama. Se banha, se arruma e se perfuma.
            O entusiasmo é grande. Ele sabe que um punhado de gente pequena e gente grande estão a sua espera. O professor prepara a cuia para saborear um mate. Olha pro relógio da parede da cozinha, está marcando 06h20min. Pela janela confere se terá sol ou chuva, frio ou calor, ultimamente a temperatura no Sul está muito variada.
            O professor liga a TV para ver se alguma noticia esperançosa aparece. Enquanto toma o mate vai ouvindo os desastres. Se sente triste, suspira fundo, “parece mesmo, sem solução às coisas neste mundo!”.
            Vai até a cozinha prepara algo pra comer. Sabe que o desjejum é importante para a saúde do coração. Segue a risca as recomendações do médico. É a vida de professor...
            Já na rua...
            Vai a pé, de ônibus ou de trem. Não importa como chegar. Ele sabe que às 07h40min tem que estar lá.
            Na escola...
            Vai cumprimentando com um “Bom dia!” bem alegre as pessoas que encontra. Se dirige ao ponto digital marcando sua estimada presença, como se isso fizesse a diferença!.
            Chega à sala dos professores alguns escutam o seu Bom dia! Outros não. A maioria mulheres, que conversam três, quatro assuntos de uma só vez. As professoras contam sobre o final de semana, o temporal do dia anterior, das roupas que deixou no varal, das aulas que preparou e das provas que corrigiu... E assim, segue a vida do professor.
            Minutos antes do sinal a coordenadora pedagógica entra na sala para dar alguns recados. A ideia é pensar em atividades recreativas para comemorar o dia das crianças.
            Pois bem...
            O sinal soou exatamente às 07h40min.
            O professor leciona a Língua Portuguesa nas séries finais do ensino Fundamental. Então pega seu material em cima da mesa e se dirige para mais uma manhã de trabalho.
            Entre um passo e outro vai pensando na atividade. Vai perguntar aos alunos o que desejam para a sua idade!. Boa ideia! Certamente irão ficar contentes.
            No pátio da escola alguns alunos correndo, outros sentados. O professor passa a vai cumprimentando. Alguns alunos respondem outros com preguiça nem mexem a boca. Num canto do corredor dois meninos agarrados um chutando o outro e todo arranhado. Ele separa os dois. Conversa dizendo palavras bonitas e leva um chute na panturrilha.
            O menino sai correndo. O professor fica ali sofrendo com a dor e a calça manchada de barro. É a vida de professor.
            Na sala de aula todos a sua espera. Uns alunos em pé escorados na janela. Outros no fundo da sala com o boné na cara. Mais a frente outro grupo com caixinha de som escutando um Rapp “inocente”. O professor entra põe suas coisas na mesa dá “Bom dia”! E adivinha?
...
            É a vida de professor.
            O professor numa segunda tentativa solicita que o escutem. A sala é cheia. Vinte e sete alunos com um turbilhão de coisas na cabeça. E um só professor. Ah! Só pra lembrar a aula possui 45 minutos.
            Um aluno do fundão grita pra chamar a atenção: “oh! Fesor! Não fiz a lição e esqueci o caderno na casa da vó!. Na mesma sinfonia mais cinco alunos seguem o modelo.
            O professor muito querido lê para quem lhe dá ouvido. Inicia a aula de Português proferindo o poema “Aprendi” de Willian Shakespeare e assim o professor conquista mais alguns alunos que por dez minutos o escutam sem reclamar.
            Em seguida, o professor comenta sobre a comemoração do dia das crianças e pediu aos alunos o que gostariam de realizar. A maioria já foi logo dizendo: “Nada”! Outros disseram querer ouvir Rapp, enquanto que outros queriam jogar bola. Os alunos que não queriam nada foram logo gritando: -”fica quieta”! -“sua vaca”! – “vai a merda seu tongo”!.
            O professor acostumado com tanta criatividade não se surpreende. Anota tudo com muita atenção para mais tarde encontrar uma solução. É a vida de professor.
            A tarefa da aula é a discussão e escrita de um pequeno parágrafo sobre o texto lido. Muitos xingamentos e reclamações o professor ouve. É a vida de professor.
            Assim o ensino fica pela metade. A maioria dos alunos não se interessa e só passa pela cabeça o que não presta. Tá difícil. Tá complicado. E o professor sai da escola de cabeça cheia e decepcionado. É a vida de professor.
            Chega em casa exausto, sabe que ainda tem mais dois turnos para enfrentar. Trabalha tanto assim, não porque quer, mas para a família sustentar.
            É a vida de professor.
            A você minha homenagem neste 15 de Outubro. Sei que tem muita gente que te julga, mas saiba “estamos juntos”. Na minha frente não permito que ninguém julgue o teu trabalho. Se não for pra elogiar! Passe longe! Já vou avisar.
            Professor é um tesouro. Ainda a sociedade vai me dar razão. Quero ver onde papai e mamãe vão colocar seus filhinhos para estudar quando o professor desistir de ensinar.

 Lucimara De Castro Bueno
           





quarta-feira, 11 de outubro de 2017

 Escrevi este poema pensando nas crianças deste país que vivem sob o risco, que vivem na vulnerabilidade, sem um lar, sem ir à escola... enquanto, os governantes fazem a "farra" com o dinheiro que é nosso... que é das crianças... 


SER CRIANÇA...
Ser criança no mundo de hoje
É ter incertezas e certezas
É viver entre o sim e o não,
É rir ou chorar sem razão
É viver com o coração na mão
É ter sonhos sem poder sonhar.
SER CRIANÇA
É estar de olhos atentos para todos os lados,
Pois vive num mundo complicado
E sabe que está sujeito a todo o sacrifício.

SER CRIANÇA
É estar em constante agonia,
Pois não se sabe se ele virá de noite ou de dia

O menino espia a rua...
Olha por entre os papelões que o protegem,

Gente passando...
O homem com uma metralhadora na mão
Mais uma criança estendida no chão,
E mais uma mãe
Partido o coração.

SER CRIANÇA

Como é difícil!
Sem família, sem escola,
Apenas mais um vidro de cola...
Triste realidade!
Está perdendo a flor da idade,
Sem saber,
Sem ler,
Sem escrever,

Sem professor,
Sem amor...






SER CRIANÇA...
Nos dias de hoje...
É estar sem ser,
É ser sem saber,
É saber sem compreender
É compreender sem interpretar
É interpretar do jeito que dá
Podendo assim evitar
Mais uma vez ter que chorar...

SER CRIANÇA...
É não saber se vai ou se fica,
É viver voando sobre uma pipa
É viver correndo por entre os carros...
De pés descalços,
Braços nus...
Abaixo do sol a pino
Fervilhando sua pele judiada,
Atrás de um vintém para tentar pagar

O homem.

SER CRIANÇA
Que triste realidade!
Em um país da prosperidade
Dos quem tem e não se importam com ninguém,
Dos que roubam de inocentes,
Sem vergonha...
Sem ética...
Sem amor

Sem  criança.

LUCIMARA DE CASTRO BUENO