É
A VIDA DE PROFESSOR
O professor acorda cedo. Todos os
dias soa o despertador às 6 horas da manhã. Sabe que mais um dia puxado terá. O
professor se espreguiça, meio sem jeito para não acordar a companheira ao lado.
Sai da cama. Tira o pijama. Se banha, se arruma e se perfuma.
O entusiasmo é grande. Ele sabe que
um punhado de gente pequena e gente grande estão a sua espera. O professor
prepara a cuia para saborear um mate. Olha pro relógio da parede da cozinha,
está marcando 06h20min. Pela janela confere se terá sol ou chuva, frio ou
calor, ultimamente a temperatura no Sul está muito variada.
O professor liga a TV para ver se
alguma noticia esperançosa aparece. Enquanto toma o mate vai ouvindo os
desastres. Se sente triste, suspira fundo, “parece mesmo, sem solução às coisas
neste mundo!”.
Vai até a cozinha prepara algo pra
comer. Sabe que o desjejum é importante para a saúde do coração. Segue a risca
as recomendações do médico. É a vida de professor...
Já na rua...
Vai a pé, de ônibus ou de trem. Não importa
como chegar. Ele sabe que às 07h40min tem que estar lá.
Na escola...
Vai cumprimentando com um “Bom dia!”
bem alegre as pessoas que encontra. Se dirige ao ponto digital marcando sua
estimada presença, como se isso fizesse a diferença!.
Chega à sala dos professores alguns
escutam o seu Bom dia! Outros não. A maioria mulheres, que conversam três, quatro
assuntos de uma só vez. As professoras contam sobre o final de semana, o
temporal do dia anterior, das roupas que deixou no varal, das aulas que preparou
e das provas que corrigiu... E assim, segue a vida do professor.
Minutos antes do sinal a
coordenadora pedagógica entra na sala para dar alguns recados. A ideia é pensar
em atividades recreativas para comemorar o dia das crianças.
Pois bem...
O sinal soou exatamente às 07h40min.
O professor leciona a Língua
Portuguesa nas séries finais do ensino Fundamental. Então pega seu material em
cima da mesa e se dirige para mais uma manhã de trabalho.
Entre um passo e outro vai pensando
na atividade. Vai perguntar aos alunos o que desejam para a sua idade!. Boa
ideia! Certamente irão ficar contentes.
No pátio da escola alguns alunos
correndo, outros sentados. O professor passa a vai cumprimentando. Alguns
alunos respondem outros com preguiça nem mexem a boca. Num canto do corredor
dois meninos agarrados um chutando o outro e todo arranhado. Ele separa os
dois. Conversa dizendo palavras bonitas e leva um chute na panturrilha.
O menino sai correndo. O professor
fica ali sofrendo com a dor e a calça manchada de barro. É a vida de professor.
Na sala de aula todos a sua espera.
Uns alunos em pé escorados na janela. Outros no fundo da sala com o boné na
cara. Mais a frente outro grupo com caixinha de som escutando um Rapp
“inocente”. O professor entra põe suas coisas na mesa dá “Bom dia”! E adivinha?
...
É a vida de professor.
O professor numa segunda tentativa
solicita que o escutem. A sala é cheia. Vinte e sete alunos com um turbilhão de
coisas na cabeça. E um só professor. Ah! Só pra lembrar a aula possui 45
minutos.
Um aluno do fundão grita pra chamar
a atenção: “oh! Fesor! Não fiz a lição e esqueci o caderno na casa da vó!. Na
mesma sinfonia mais cinco alunos seguem o modelo.
O professor muito querido lê para
quem lhe dá ouvido. Inicia a aula de Português proferindo o poema “Aprendi” de
Willian Shakespeare e assim o professor conquista mais alguns alunos que por
dez minutos o escutam sem reclamar.
Em seguida, o professor comenta
sobre a comemoração do dia das crianças e pediu aos alunos o que gostariam de
realizar. A maioria já foi logo dizendo: “Nada”! Outros disseram querer ouvir
Rapp, enquanto que outros queriam jogar bola. Os alunos que não queriam nada
foram logo gritando: -”fica quieta”! -“sua vaca”! – “vai a merda seu tongo”!.
O professor acostumado com tanta
criatividade não se surpreende. Anota tudo com muita atenção para mais tarde
encontrar uma solução. É a vida de professor.
A tarefa da aula é a discussão e
escrita de um pequeno parágrafo sobre o texto lido. Muitos xingamentos e reclamações
o professor ouve. É a vida de professor.
Assim o ensino fica pela metade. A
maioria dos alunos não se interessa e só passa pela cabeça o que não presta. Tá
difícil. Tá complicado. E o professor sai da escola de cabeça cheia e
decepcionado. É a vida de professor.
Chega em casa exausto, sabe que
ainda tem mais dois turnos para enfrentar. Trabalha tanto assim, não porque
quer, mas para a família sustentar.
É a vida de professor.
A você minha homenagem neste 15 de
Outubro. Sei que tem muita gente que te julga, mas saiba “estamos juntos”. Na
minha frente não permito que ninguém julgue o teu trabalho. Se não for pra
elogiar! Passe longe! Já vou avisar.
Professor é um tesouro. Ainda a
sociedade vai me dar razão. Quero ver onde papai e mamãe vão colocar seus
filhinhos para estudar quando o professor desistir de ensinar.
Lucimara De Castro Bueno